Mikosz & Mythosz

Arte e Consciência

De Como Quem Menospreza a Pintura, Filosofia e Natureza Não Ama

Se você menosprezar a pintura [figurativa], imitadora solitária de todas as obras visíveis da natureza, de certo desprezarás uma sutil invenção que, com filosofia e sutil especulação, considera as qualidades de todas as formas: mares, paragens, plantas, animais, árvores e flores que se banham de luz e sombra. Esta é, sem dúvida, uma ciência e legítima filha da natureza, que a pariu, para dizer “em boa lei”, sua neta, pois todas as coisas visíveis foram paridas pela natureza e dela nasceu a pintura. De modo que a chamaremos cabalmente de neta da natureza e a colocaremos entre o seu divino parentesco.

Quem reprova a pintura, reprova a natureza, porque as obras do pintor representam as obras dessa mesma natureza e, por isso, tal censor carece de sentimentos.

[Obs: O texto é do Leonardo da Vinci… Não é a toa que a fotografia também tem o estatus de arte, sendo que o que interessa não o ato de apertar um botão, mas do olhar, perfeitamente válido também para a pintura que pode até usar a fotografia como meio de recorte na natureza]

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Painel Cultural de Arte Visionária

Boom Festival 2008, Portugal

(Video com perguntas e respostas sobre Arte Visionária).

Liminal Media Stream Presented by the Elvish Nation, Pod Collective, Elfintome and Crystal and Spore, this historic panel connects key art culture creators from North America, Europe and Asia. Exploring the role and place of art in the new culture, this is a tributary in a 120 hr curriculum confluence featuring over 30 presenters and artists from 23 countries. Over the course of a week the liminal village conference and gallery hosted many of the 30,000 festival goers from 80 countries.

For details on printed media that compliments this experience, contact delvin@crystalandspore.com.

Visionary Art Culture Creators Panel

CONCEPT STEWARD AND MC : Delvin Solkinson

DJ : Naasko Wripple

VJ : Sijay James

FILMED BY : Mari Asada

ART PANEL:

Leo Plaw

Luke Brown

Carey Thompson

Andrew Jones

Zariat

Laurence Caruana

boomfestival.org

podcollective.com

elfintome.com

visionaryrevue.com

lila.info elvism.net

higherglyphiks.com

lightscience.ca

r6xx.com

beinart.org

artofimagination.org

A Farsa da Consciência

De que tipo de consciência estamos falando? De um estudo científico sobre a psique humana, o dualismo entre corpo e alma (cérebro/mente), neurociências, etc., ou de questões como a moral, “sentido do que é certo ou errado”, ou a suposição de que a medida que se “evolua” em relação a consciência nos tornaremos “superiores”, isto é, mais espiritualizados, solidários, bonzinhos, de um tipo de moral elevada, pois são coisas completamente diferentes.

Se formos em direção aos estudos cérebro/mente, teremos que fazer frente a uma enorme série de teorias contraditórias, entrar em um campo novato, pouco conhecido, de difíceis acordos entre os especialistas. Não há espaço aqui pra isso. Mas o que quero mostrar aqui são alguns enganos básicos nesses estudo sobre consciência. Primeiramente porque o ser humano não tem UMA consciência. Freud e Jung, por exemplo, cada um de seu modo, desenvolveram o conceito de inconsciente. Jung nos fala de um inconsciente pessoal e outro coletivo. O Freud inicial fala de um inconsciente como um receptáculo de conteúdos recalcados (cito esses psicólogos por serem pioneiros, muita coisa se renovou depois deles). Mas isso é a ponta do iceberg. Williams James se refere à necessidade de se levar em conta outras consciências:

Nossa consciência vigilante normal, a denominada consciência racional, não é mais do que um tipo especial de consciência separada de outros tipos de consciência completamente diferentes pela mais fina das camadas… Nenhuma descrição do Universo em sua totalidade que deixe essas outras formas de consciência no esquecimento poderá ser efetiva.

A ilusão de que se pode viver de um modo coerente, com uma única consciência grudada com goma de mascar em algum centro da personalidade é no mínimo inocente, ignorante, se não propositalmente maldosa. Voltaire comparou certa vez um homem em dois estados diferentes, um quando ele está constipado, outro quando ele está com diarréia. No primeiro caso o infeliz certamente estará mal-humorado, enfezado (isso mesmo, cheio de fezes). Já na diarréia ele se tornará lânguido, pois nesse estado a química não ajuda muito a agressividade. E, segundo Voltaire, essa é a pretensão humana de ser a imagem de Deus: sentado numa privada, tendo seus estados de humor regulados por seus intestinos. Mas o que tem a ver isso com a consciência? Tudo. Somos seres que ficamos diferentes – trocamos nossa forma de interpretar e sentir – pelos motivos mais banais. Você se promete ser bom, basta levar uma fechada no trânsito, entrar em uma discussão com a mulher, patrão, filhos, a mosca que cai na sopa e pronto, diversos personagens seus, que são vocês, aparecem do nada. Seu controle sobre eles é mínimo na hora, depois você quer se matar de raiva de “ter se traído”. Somos uma legião de pessoas internamente, além de que nosso corpo, mente, intelecto e emoções, nem sempre estão de acordo com o que querem e precisam. Em situações semelhantes em um momento somos valentes gritões, noutra covardes e trêmulos, outras ainda estamos de TPM ou diarréia. Não conseguimos ser os mesmos diante de pessoas diferentes e, se você nunca reparou nisso, seu estado de consciência sobre você mesmo é mínimo, que vergonha!

Uma das formas de pesquisa que colabora muito na área são os estudos sobre os estados não ordinários de consciência (que chamo ENOC). Estuda-se sobre o funcionamento do cérebro e sobre a atuação dele tanto como receptor tanto como válvula redutora da percepção (ver Huxley, Hangcock). Os ENOC são considerados estados legítimos de consciência atualmente. Não são mais considerados deformações, alterações ou distorções do estado comum de consciência “normal”. Como comentei em outra postagem, várias técnicas religiosas como meditações, jejuns, celibato, danças, rezas, tambores xamânicos, etc., são capazes de levar a estados especiais de consciência. Certos psicoativos têm a mesma propriedade, agem no cérebro diminuindo o poder de válvula redutora dele, dando chance da ciência compreender diversos fenômenos da consciência, inclusive muitos dos que estão relacionados aos chamados estados místicos, no qual a natureza humana acaba criando mitos e religiões (Rick Strassman tem um belo estudo a respeito – DMT-The Spirit Molecule).

Naturalmente, falar de psicoativos provocará em alguns imediato preconceito e medo. Sim, é um problema mesmo, mas nada comparado com algo chamado ignorância, pois do que, da qual estamos falando? No Brasil aproximadamente 25.000 pessoas usam Ayahuasca para fins religiosos (sem falar nas aprox. 70 tribos de índios que a usam como medicina e religião durante séculos – ver Reichel-Dolmatoff, Schultes & Hoffman, Lux Vidal, etc), perfeitamente integrados na sociedade, nas suas famílias e seus trabalhos e, plenamente legais juridicamente. Legalização essa que ocorreu com pesquisas científicas do mais alto nível que confirmaram as características inócuas da bebida em questão (levada a cabo com cientistas como Charles Grob, Jace Callaway, Dennis Mckenna e Rick Strassman. Há muita informação em autores como Beatriz Labate, Ralph Metzner, Benny Shanon, Luis Eduardo Luna, etc, etc). Descartar o tema por preconceito, “não devemos falar sobre o ‘Santo Daime‘” em discussões sobre ciência da consciência é um preconceito, uma segregação ideológica, tendenciosa, movida por segundas intenções, jamais limpa ou honesta e, muito menos, científica. Dessa forma, nós sim, sentimos que isso se opera como uma forma velada de violência…

Outro erro gigante sobre a consciência está no sentido moral que atribuem a ela. Jung falava da necessidade do indivíduo integrar na personalidade seus lados obscuros, a sombra. Recalques, repressões, “auto-controle”, não são espiritualidade e sim, política, serve para manter as aparências ou manipular os demais. Tampouco é sair dando socos, é usar essa energia com outro tipo de sabedoria, sem “entupí-la”. Muitas pessoas que se aproximam da espiritualidade acham que devem mudar, mas mudanças reais não se tratam de “política”, nem de trocas de condicionamentos e hábitos, mudanças só serão reais se você não precisar recalcar nada e simplesmente ser. Nesse caso, melhor é ser “mundano”, aquele que está no mundo, pois há um sentido nas experiências de estarmos aqui, dos nossos conflitos, irritações, desejos e dúvidas, mais do que em fantasias místicas e recompensas no paraíso. Isso é o que se chama auto-conhecimento e da coragem necessária para viver o que se é (e os seres humanos seriam muito melhores se assim o fizessem e permitissem, pois poderiam “passar por” sem ficarem presos em recalques). Recalcar e passar por “evoluído” não engana os outros por muito tempo, só a você mesmo. Não é a toa que qualquer julgamento sobre o outro está fadado a ser preconceito e erro apenas. Ninguém sabe sobre você melhor do que você mesmo e do que você precisa.

A religião foi o primeiro sistema que utilizou o conhecimento místico para segregar as pessoas. “Sacerdotes” se colocam em uma hierarquia superior, guiando rebanhos como se fossem diferentes ou superiores. Sabemos o que o mundo tem passado em nome de Deus e disputas religiosas de todos os tipo (DeusUm Delírio de Richard Dawkins):

Infringir crueldade com a consciência em paz é um deleite para os moralistas – foi por isso que eles inventaram o inferno (BERTRAND RUSSEL apud PINKER 2004, 368).

O ser humano não precisa de nenhum tipo de religião para ser solidário com o outro, nenhum tipo de regulação moral ou de conselhos piegas. Não necessitamos de nenhuma invenção sobre “estudos de consciência” com fins de manipulação em nome de um mundo melhor, muito menos um circo quântico tão em moda!

Nas questões da “consciência moral”, olhar a dinâmica da natureza pode ensinar muito sobre nós mesmos, não há nada de bonzinho ou mauzinho ali, é como deve ser, como foi criado ou como evoluiu, não importa. Nossa sina é matar para viver, seja animal ou vegetal. Aceitar o que se é, aprender a ver mais profundamente a si mesmo, não falsificar mudanças internas, nossos defeitos podem ser nossas melhores qualidades (parafraseando Nietzsche), deixará por terra uma série enorme de falsos ídolos. Não é fácil, é o caminho do herói pelos perigos do labirinto em direção ao centro… sozinho. Como diria JOSEPH CAMPBELL, é o jogo da vida que temos que participar. Então, ter algumas portas fechadas podem acontecer, desistir não, mas bater nas portas certas…

Ninguém é Nonsense

…Olhe para a estrada, e veja se pode avistar algum deles.

– Ninguém aparece na estrada – disse ela.

– Oh! Quem me dera ter tais olhos! – Observou o Rei em tom impertinente. – Poder ver Ninguém! E a esta distância! Porque eu, o mais que posso fazer, com estes olhos, é ver as pessoas de verdade.

E Alice não podia negar que ele dissera assim mesmo.

– Quem você encontrou na estrada? – Continuou o Rei, erguendo a mão para o Mensageiro lhe dar mais feno.

– Ninguém.

– Muito bem: esta menina também o avistou. Assim, é claro que Ninguém caminha mais devagar do que você.

– Eu faço o que posso – disse o Mensageiro, assomado. – Estou certo de que ninguém caminha muito mais ligeiro do que eu.

– Não é possível – disse o Rei -; senão ele teria chegado aqui primeiro… Mas, visto que você já tomou fôlego, pode contar-nos o que aconteceu na cidade.

(CARROL, Lewis (2007). Alice no País dos Espelhos. Editora Martin Claret. São Paulo)

Este texto me deu ataque de riso de madrugada, me foi prazerosamente engraçado como o texto da Matemática. Bom humor é sempre bem vindo, “não há nada mais ridículo do que levar a vida a sério”, enfim… 😀

Tabula Rasa

O texto abaixo é um pequeno recorte de um capítulo que se encontra no livro Tabula Rasa – A Negação Contemporânea da Natureza Humana – de Steve Pinker, professor de psicologia de Harvard, especialista em Ciências Cognitivas, ex-professor do MIT (um dos maiores centros de pesquisa do planeta) e que traz em seu livro algumas reflexões sobre Arte e Natureza Humana.

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Embora as formas exatas de arte variem muito entre as culturas, as atividades de criar e apreciar arte são reconhecíveis em toda a parte. O filósofo Denis Dutton identificou sete assinaturas universais:

  1. Perícia ou virtuosismo. Habilidades artísticas técnicas são cultivadas, reconhecidas e admiradas.
  2. Prazer não utilitário. As pessoas apreciam a arte pela arte, e não requerem que ela as mantenha aquecidas ou que lhes ponha comida na mesa.
  3. Estilo. Objetos e representações artísticas satisfazem regras de composição que as situam em um estilo reconhecível.
  4. Crítica. As pessoas fazem questão de julgar, avaliar e interpretar obras de arte.
  5. Imitação. Com algumas importantes exceções como música e pintura abstrata, as obras de arte simulam experiências do mundo.
  6. Enfoque especial. A arte é distinguida da vida comum e dá um enfoque dramático à experiência.
  7. Imaginação. Artistas e seus públicos imaginam mundos hipotéticos no teatro da imaginação.

As raízes psicológicas dessas atividades recentemente tornaram-se tema de pesquisas e debates. Alguns pesquisadores, como a acadêmica Ellen Dissanayake, acreditam que a arte é uma adaptação evolutiva, como a emoção do medo e a capacidade de ver em profundidade. Outros, como eu, acreditam que a arte (exceto a narrativa) é um subproduto de outras três adaptações: a ânsia por status, o prazer estético de vivenciar objetos e ambientes adaptativos e a habilidade de elaborar artefatos para atingir os fins desejados. Desta perspectiva, a arte é uma tecnologia de prazer, como as drogas, o erotismo e a culinária refinada – um modo de purificar e concentrar estímulos prazerosos e enviá-los aos nossos sentidos (PINKER 2004, 546).

–> Para ler um pouco mais sobre Steve Pinker, além do site, saiu na Folha de São Paulo uma interessante entrevista com ele e o escritor McEwan aqui.

(Interessante refletir que praticamente apenas nas Artes Visuais algumas coisas “estranhas” acontecem, isto é, você já viu um malabarista apenas deixando cair os malabares? Sim, isso, malabarismo “pós-moderno”. Parece familiar com muitas produções “contemporâneas” de Artes Visuais? Coisa pra se refletir, não? Há muita coisa boa, interessante e importante na arte atual, mas tem muita imitação duchampiana fraca por ai :D).

Notas Sobre a Arte Visionária

Lendo um texto de Laurence Caruana, artista que editou o Manifesto da Arte Visionária, resolvi traduzir e parafrasear aqui algumas dessas idéias que parecem comuns aos artistas que se dedicam a esse tipo de arte. O texto se refere principalmente a pintura, mas pode ter os mesmos valores se traduzidas as idéias para outros meios.

  1. Confrontada pela tecnologia moderna, tal como a fotografia, a arte visionária incorpora estes modos de ver na pintura (veja Pierre Peyrolle em “A Arte Visionária na França”) e mesmo a ultrapassa através da pintura hiper-realista* (veja “Mati Klarwein revisto”). Fazendo isto, a Arte Visionária procura também reproduzir exatamente o que nenhuma fotografia pode: sonhos, visões alucinogênicas, estados psicodélicos, etc.
    (*) Ou Richard Estes, Claudio Bravo ou Chuck Close.
  2. Através de estados alternativos de consciência (os ENOC na minha tese), o artista visionário encontra modos diferenciados de perceber os trabalhos de arte tradicional. Muitas mensagens inesperadas (escondidas previamente ou “despercebidas”) emergem agora, expandindo nossa “estreita, demasiada estreita” percepção da história da arte. O artista visionário tenta integrar esta visão renovada do passado em todos os trabalhos futuros.
  3. Para o Artista Visionário, a tela é como uma janela em outro mundo. Ele não admira a janela em si, ou presta atenção na qualidade do vidro. Faz o médium (tintas, pinceladas, etc) tão transparente quanto possível, de modo que a imagem possa “i-mediatamente” ser apresentada ao observador. Tenta apresentar tão autenticamente quanto possível a visão original.
  4. O discurso* tem uma existência autônoma à parte do artista e do crítico. O título dado pelo artista participa num relacionamento poético com a imagem e o texto crítico explora nas palavras o mesmo assunto alusivo que a pintura explora nas imagens: sonhos, visões, alucinações.
    (*) Laurence se refere ao fato de que muitas obras atuais necessitarem de um conceito para se sustentarem. Material de bom humor sobre isso pode ser lido em A Palavra Pintada de Tom Wolfe.
  5. A Arte Visionária conduz a uma existência marginal. A busca espiritual da maioria dos artistas impossibilita-os de um interesse maior pelo valor material de seu trabalho. Os artistas estão ocupados demais em explorar seus mundos internos para promoverem sua arte como um bem de consumo (atender abertura de galerias, fazer contatos, etc). A pintura permanece como um trabalho de arte, muitas vezes não compreendida pelos “antigos contemporâneos”.
  6. A Arte Visionária é ligada a internet. Melhor que fazer intermediações, a internet apresenta imediatamente as imagens. A web permite acessar os trabalhos livremente e de se comunicar diretamente com o artista. O galerista como o intermediário ou o “porta-voz”, tornam-se obsoletos. E o papel dos galeristas é assumido por artistas autônomos e colecionadores independentes e de visão mais ampla.

Os artistas visionários estão em dia com as pesquisas contemporâneas da psicologia profunda, das neurociências, da física quântica, de novas investigações antropológicas, arqueológicas, de tudo que envolve o homem diante do absoluto misterioso e sua eterna busca de significado.

Movimentos esses típicos do milênio que se inicia e que teve, no caso da cultural ocidental, um primeiro impulso de massa nas décadas de 1950 e 1960 e que são retomadas novamente. É a primeira vez que a ciência se alia de forma lúcida com os fenômenos espirituais.

No Renascimento houve a aproximação da ciência com a arte, uma delas na aplicação da perspectiva desenvolvida por Brunelleschi nas pinturas. Essa época foi marcada pelo antropocentrismo, contapondo um pouco os sentimentos devocionais religiosos que vinham da Idade Média. A época atual não se assemelha ao Renascimento nesse sentido, mas podemos pensar que estamos diante de um humanismo-científico-espiritual em pleno desenvolvimento.

A arte é usada então, como um meio de comunicação, de compartilhamento desse universo, impulso presente desde os tempos da caverna, buscando, como diz L. Caruana: Ser reveladora

O que é Arte Visionária?

A definição mais sucinta e de mais fácil entendimento é dizer que a Arte Visionária é o resultado de experiências de expansão de consciência retratadas plasticamente.

Ela não é algo novo, existe desde o tempo das cavernas, passou por artistas como Paolo Ucello, Arcimboldo ou Bosch no Renascimento, na arte de William Blake, esteve presente no Simbolismo, Surrealismo, Realismo Fantástico, Psicodelismo e, atualmente, com os artistas mais consistentemente se dedicando a retratar suas visões e experiências em Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC). No Simbolismo buscou-se retratar estados emocionais, a vida interior do artista, não o real do mundo externo. No Surrealismo buscou-se o mundo do inconsciente, o mundo onírico. No Psicodelismo, o uso de psicoativos, deu início mais consistente do que culminaria na Arte Visionária atual.

Uma pergunta comum é se para ser Arte Visionária, o artista precisa realizar o trabalho artístico sob efeito de alguma substância “alucinógena” como a Ayahuasca, LSD, peiote, etc.

Não propriamente. Os ENOC podem ser conseguidos de diversas formas. Práticas místico-religiosas como jejum, celibato, tantra, mantras e rezas ou cânticos muito repetitivos, músicas específicas, batidas rítmicas de tambores, entre outras, podem levar a estados de expansão da mente. A dor pode ser um elemento, os “faquires” usam essa técnica. Algumas doenças e febres que podem causar delírios ou então esquizofrenia, psicoses, tudo isso é possível de ser usado como Jung fez com alguns pacientes nos desenho de mandalas.
Naturalmente os psicoativos ou substâncias alucinógenas estão presentes e são usados pelos artistas para entrarem em contato mais rapidamente em outros estados de consciência.
Na minha pesquisa comento um pouco a história dos psicoativos, porém me interessa a Ayahuasca por ser uma substância não classificada como “droga” na legislação brasileira e por existirem muitas pesquisas sobre seu uso, seus aspectos médicos e seu impacto social.

Segundo pesquisadores importantes do assunto como David Lewis Williams, já na arte rupestre se encontram elementos visuais conhecidos como entópticos, que atualmente, devidos a testes laboratoriais, ficaram evidenciados como produzidos em ENOC pelos “artistas das cavernas”. Porém não havia a intenção de produzir algo com o nome de “Arte Visionária“, isso só aconteceu nas décadas de 1960/70 em diante.

No caso específico da Ayahuasca, o interesse por uma pesquisa envolvendo-a com a arte é o fato de ela abrir novamente questões interrompidas nos anos 1960 em relação a certas pesquisas sobre a consciência humana. A Ayahuasca, através de algumas religiões brasileiras como o Santo Daime e a União do Vegetal, possibilitaram a abertura de novas pesquisas científicas que despertam interesse no mundo todo novamente, seja pelo lado da saúde, da psicologia, antropologia ou arte.
As artes, segundo Luis Eduardo Luna:

Constituem, sem dúvida, um dos instrumentos mais poderosos para o desvelamento de fenômenos tais como estados não ordinários de consciência.

Devido a isso essa associação Arte-Ayahuasca tem demonstrado ser um caminho extremamente fértil em trabalhos de pesquisa.

Hoje sabe-se que os Estados Não Ordinários de Consciência não são deformações mentais, são estados genuínos de consciência que o ser humano aos poucos vai conhecendo melhor .

Malditos Vegetarianos!

Não, não se trata de nada disso.

O fato é que somos fadados pela Mãe Natureza a viver, desde que matemos algo, seja animal ou vegetal, alguém tem que morrer.

E tampouco se trata da posição na escala evolutiva, não há seres vivos superiores uns aos outros.

Não teime, não há.

Somos uma cadeia, um sistema, interdependentes e, o “pior”, nossa estrutura vital básica é similar, todos temos o mesmo DNA, isto é, algumas combinações de letras, textos diferentes, apenas isso, mas não dá pra dizer “superior”, apenas mais complexo talvez.

Tenho pena dos animais que comemos, não só pelo confinamento e maus tratos que recebem, tenho pena também dos que fogem amedrontados, adrenalinados diante de um ataque de leões, hienas, lobos, cachorros ou gatos… já repararam a resignação quando são finalmente alcançados? É comovente, quase como uma rendição a uma determinação, essa sim, superior…

Os vegetais não gritam, pelo menos não ao alcance do ouvido humano. Nunca ouvi nenhum me xingando tampouco. Porém desenvolvem defesas, é óbvio que não querem morrer. O fato do grito ser silencioso não nos dá esse direito, talvez não o tenhamos mesmo, mas se não matarmos nem a alfacezinha, morremos nós.

Daí vem aquele pessoal que diz que ouvindo Heavy Metal (gostei dessa!) as plantas até se desenvolvem mais. Puxa, quer dizer que logo descubro que elas também sabem que as matamos e se magoam com isso!

E quanta discussão tola a respeito de comprimentos do intestino humano e de sua arcada dentária…

E não adianta se rebelar. Somos feitos para sentir tudo que interessar para a natureza aumentar o número de DNAs no planeta, algum propósito evolucionista que ainda me escapa ao mesmo tempo que me é evidente. Olhe lá a garota gostosa, olhe lá o garotão, pronto, mais DNAs por ai, simples como isso, você é mero cumpridor de expectativas naturais, e se acha o máximo no meio disso, tsc,tsc, tsc!

Ser humano, ser consciente, é complicado, só resta crer firmemente na reencarnação e que tudo não passa de um mal entendido, está tudo certo, nada morre na verdade. Ou escapar pela ciência, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, seja vegetal ou animal…

Infância

Certamente meu interesse em artes visuais foi influenciado por minha mãe.
Quando eu tinha 4 anos de idade eu a acompanhava até a EMBAP onde ela tinha aulas de pintura com Guido Viaro. Até hoje tenho imagens das pinturas que eu fazia lá.
Fui um pintor genial e profícuo quando pequeno. Hoje apenas vivo da fama adquirida desde então 🙂
Abaixo algumas das obras que fizeram parte de minhas pesquisas artísticas da época:

Essa foi do período neoplástico. Mondrian questionou a centralidade exagerada da composição. Não ficou muito feliz com o círculo embaixo à direita. Ele disse que estava muito subjetivo, pouco espiritual, mas se conformou com a cor verde, já que continha o azul e o amarelo usados por ele.

Essa árvore também fiz pra impressionar o Mondrian e homenagear suas fases anteriores, mas ele disse que eu devia consultar alguns japoneses antes.

Eu não entendi o lance dos japoneses e, então, fiz essa acima, pois havia me interessado pelos trabalhos de alguns fauves e sua liberdade no uso da cor.

Querendo concorrer, enfim, havia descoberto que no mundo temos que ser geniais e concorrer, sempre concorrer: segui os exemplos de Gauguin com o Cristo Amarelo e de Anita Malfatti com o Homem Amarelo, criei então a Mulher Amarela.

Depois enjoei e criei uma mulher mais nítida, porém poucos artistas foram tão objetivos e sintéticos como eu fui (coitados!).

Todo grande artista, principalmente do século passado, teve uma fase Expressionista Abstrato, como dotado de grande talento, aderi a idéia, enfim, era 1960!!!

Mas achei divertido por pouco tempo. Então resolvi aderir a Arte Pop. Como era muito pequeno, entendi errado e troquei Sopa por Sapo e fiz minha série de Sapos Campbell, para estar atualizado com o tio Andy Warhol.