Mikosz & Mythosz

Arte e Consciência

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Statement

(English bellow)

Artista transmídia, professor adjunto 4 da Unespar/Embap. Membro do CIEBA da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). Conselheiro Jurisdicional da Universidade Rose+Croix Internacional (URCI). Faz parte do Quadro do Conselho da Wasiwaska – Centro Internacional de pesquisas sobre Consciência, Plantas Psicointegradoras e Arte Visionária. Membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) e do Instituto iNeuroPsi. Pesquisador em Arte e Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC) – Arte Visionária e Psicodélica.

Muito cedo a vida me pareceu extremamente estranha e misteriosa, tendo visões e sonhos lúcidos a partir dos cinco anos de idade. Aos treze anos lia Lobsang Rampa e ouvi falar de rosacrucionismo pela minha mãe. Cheguei a fazer mapas astrais e leituras fisiognomônicas, além de incursões na cabala, alquimia, esoterismo e magia em geral. Participei de grupos terapêuticos como bioenergética, de-programação pessoal (baseado no Processo Hoffman), terapia Gestalt, Rebirthing e Meditações Osho. Frequentei o Grupo Gurdjieff e, por um período, fui facilitador de Movimentos. Mais tarde, buscando conhecer a relação do ser humano com o uso de Plantas Professoras, me associei ao Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV) chegando a fazer parte ali do Departamento de Documentação e Memória. Pratiquei ioga e fiz o curso de formação em Kundalini pelo Instituto Nanak. Há mais de três décadas me interesso por rock extremo e alternativo, sendo guitarra uma paixão. Relaciono-me com pintura e desenho desde “sempre”, fazem parte de minha vida como algo muito além da arte e que são o foco de minhas pesquisas acadêmicas atuais.

Não gosto de polarizações, acredito no livre pensamento e em todos os paradoxos disso. Vivo uma luta utópica antiproibicionista em todos os sentidos, todos devem poder tudo, respeitando, naturalmente, a regra de ouro de convívio, lembrando o Liber 77 divulgado por Crowley onde “o amor é a lei, amor sob vontade”. Dessa maneira é difícil concordar com qualquer tipo de extremismo e ditaduras autoritárias, sejam de direita ou de esquerda. Boa leitura aqui é “A Infelicidade do Século” de Alain Besançon e “As Origens do Totalitarismo” de Hannah Arendt. Mesmo com essa posição, sou tolerante ao máximo e tenho amigos de várias tendências políticas sem que eu me identifique, respeito a capacidade de compreensão delas assim como posso e devo evoluir meu próprio pensamento.

Apesar de parecerem o “ópio do povo”, todas as manifestações religiosas são importantes. Elas fazem parte de nosso substrato neural. Crenças em mundos e seres divinos além do mundo material está presente em todas as culturas, e nenhum sistema político autoritário jamais as conseguiu eliminar. Mas creio que temos o direito de criticar e refletir sobre as religiões. Elas não podem ser intocáveis e não deveriam manipular as pessoas através de seus medos e esperanças, deveriam abrir caminhos espirituais autênticos, além de pagar impostos!

Incluo muitas vezes em meus trabalhos visuais e musicais, aspectos obscuros e caóticos de nosso inconsciente. Quando criança, histórias infantis eram interessantes quando haviam bruxas, castelos, magos e dragões. É apenas uma estética divertida. Não acredito em seres demoníacos nem angelicais, são apenas formas arquetípicas, nós que damos vida, força e forma para essas energias capazes de nos fazer adoecer e também de nos curar. É ficção, licença poética, não é pra ser levada a sério ou teríamos que condenar Edgar Alan Poe, H.P. Lovecraft e todas as bandas de heavy metal com o mesmo imaginário e, inclusive, personagens como a Pantera Cor-de-Rosa e Tom & Jerry por serem “tão violentos”!

Lembrem que nunca vimos um diabo torturando alguém, mas em nome dele existiram as Cruzadas e a inquisição, esta uma das maiores formas de “peste emocional” que o mundo já presenciou (além de racista e misógina). As colonizações que ocorreram no Continente Americano, em nome de valores cristãos, sejam protestantes no Norte ou católicos no Sul, foram devastadoras para as culturas originais dessas terras (também um fenômeno racista). O estupro seguido de morte, implícito aqui, não é somente o físico, mas mental também. Esses sim foram literais no passado, como outros grupos religiosos o são na atualidade. 

Acredito que a Arte – em todas as suas modalidades – deve poder tudo, mesmo o “politicamente incorreto”, ou ela perderá sua característica maior de liberdade de expressão. Ninguém deveria se sentir ofendido por qualquer manifestação artística. Ninguém deveria se sentir ameaçado em sua cultura ou crenças por existirem quem pensa e sente diferente. Se um tipo de expressão te ofender, se não curtir, não veja, não ouça, faça a sua com a mesma liberdade, discuta, dialogue e cresça, use as mesmas “armas”. Crítica inteligente sempre é bem vinda, proibir não ajuda em nada e mantém a escuridão sobre temas tabu. Dar liberdade e não se importar, muitas vezes é a forma mais rápida de uma provocação perder a intensidade. O medo apenas nos torna covardes e, consequentemente, violentos.


Transmedia artist, associate professor  of  Unespar/EMBAP. Member of Cieba  of the School of Fine Arts, University of Lisbon (FBAUL). Jurisdictional Advisor of University International Rose+Croix (URCI). Member of the Wasiwaska Council – International Center for Research on Consciousness, Psychointegrating Plants and Visionary Art. Member of the Center for Interdisciplinary Studies on Psychoactive (NEIP) and of iNeuroPsi Institute. Researcher on Art and Non-Ordinary States of Consciousness (ENOC) – Visionary and Psychedelic Art.

Very early on life struck me as extremely strange and mysterious, having visions and lucid dreams from the age of five. At thirteen I read Lobsang Rampa and heard of Rosicrucionism from my mother. I even did astrology charts and physiognomonie readings, as well as incursions on kabala, alchemy, esotericism, and magic in general. I participated in therapeutic groups such as bioenergetics, personal de-programming (based on the Hoffman Process), Gestalt therapy, Rebirthing and Osho Meditations. I participated in a Gurdjieff Group, and for some time, I was a Movements facilitator. Later, seeking to understand the relationship of humans with the use of Plants-as-Teachers, I joined Centro Espítita Beneficente União do Vegetal  (UDV), where I worked in the Department of Documentation and Memory. I practiced yoga and did the Kundalini training course taught at Nanak Institute. For more than three decades I have been interested in extreme and alternative rock music, and guitar is one of my passions. I have related to painting and drawing since “always”; they have been part of my life as something far beyond art and are the focus of my current academic research.

I do not like polarizations, I believe in free thought and all the paradoxes that. I live in an utopian anti-prohibitionist struggle in every way; everyone should be free to do anything respecting, of course, conviviality’s golden rule, remembering Liber 77, by Crowley, where “love is the law, love under will.” Thus, it is difficult to agree with any kind of extremism and authoritarian dictatorships, whether of the right or of the left. Good reading on this is “The Unhappiness of the Century” by Alain Besançon and “The Origins of Totalitarianism,” by Hannah Arendt. Even holding this position, I am tolerant to the fullest and I have friends who hold various political views without having to identify myself with them; I respect their understanding capacity just as I can and must develop my own way of thinking.

Even though they seem to be the “opium of the people”, all religious manifestations are important. They are part of our neural substrate. Belief in divine beings and worlds beyond the material world is present in all cultures, and no authoritarian political system has ever managed to eliminate it. But I believe we have the right to criticize and reflect on religions. They should not be untouchable just as they should not manipulate people through their fears and hopes; they should open genuine spiritual paths, in addition to having to pay taxes!

I often include in my visual and musical works, obscure and chaotic aspects of our unconscious. As a child, children’s stories were interesting to me when there were witches, castles, wizards and dragons. It is just a fun aesthetics and at the same time an activist one. But I do not believe in demonic or angelic beings; they are only archetypal forms. We give life, strength and shape to these energies. It is fiction, poetic license that should to be taken literally or otherwise we would have to condemn Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft and all heavy metal bands and even the Pink Panther and Tom & Jerry “because they are so violent”! Remember that we have never seen a devil torturing anyone, but in his name the Crusades and the Inquisition were stared, being the latter one of the greatest forms of “emotional plague” that the world has ever seen (in addition to being racist and misogynist). The colonization that occurred in the Americas, in the name of misunderstood Christian values, whether Protestant or Catholic, in the North or in the South, was devastating to the original cultures of these lands (also a racist phenomenon). The rape followed by death, implied here, is not only physical, but also mental. These were rather literal in the past as other religious groups are today. 

I believe that Art, in all its forms, should be allowed everything, even the “politically incorrect”, or it will lose its greatest feature −freedom of expression. No one should feel offended by any artistic expression. No one should feel their culture or beliefs threatened because there are people who think and feel differently. If some kind of expression offends you, if you do not enjoy it, do not look at it, do not listen to it; make your own with the same freedom, discuss, engage in dialog and grow, use the same “weapons”. Intelligent criticism is always welcome; prohibition does not help in any way and only keeps taboo subjects in the dark. Give it freedom and do not mind it; sometimes this is the quickest way for a provocation to lose its intensity. Fear only makes us coward and, therefore, violent.

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Wasiwaska Visionária

WASIWASKA é um Centro de Pesquisa Internacional sobre Plantas Psicointegradoras, Arte Visionária e Consciência. Todos os anos o Centro reúne cientistas e artistas que se dedicam a estudos sobre temas diversos relativos à consciência. O Prof. Dr. Luis Eduardo Luna, antropólogo, diretor do Centro, é referência mundial sobre os temas tratados ali.

O Prof. Luna foi meu principal mentor e orientador durante minha tese de doutorado. Desde o início sua simpatia e competência firmou entre nós um relacionamento de colaboração e amizade. Desde então tenho participado de alguns encontros na Wasiwaska que tem sido de vital importância nas minhas pesquisas sobre Arte e Consciência, notadamente a Arte Visionária.

Wasiwaska

Entrada do Instituto

Abaixo uma das pinturas de Pablo Amaringo do acervo da Wasiwaska. Está sendo planejado um Simpósio de Cultura Visionária para 2011 em Florianópolis, onde parte do acervo estará presente para exibição, possibilitando ao público ver de perto obras consagradas de Arte Visionária.

Pablo Amaringo

Pintura de Pablo Amaringo

Na foto seguinte, dos seminários de agosto de 2008, da esquerda para direita estão: Prof. Manuel Torres (Arte Historiador e Arqueólogo), Donna Torres (Artista Visionária), Dra. Claudia Mueller-Ebeling (Arte Historiadora) e o Dr. Christian Rätsch, um dos mais importante etnofarmacologistas da atualidade e também artista visionário e escritor, foi amigo pessoal de Albert Hoffman.

Pesquisadores Wasiwaska

Intervalo entre os Seminários

Na próxima foto Michael Winkelman e sua esposa Cindy numa visita a Curitiba. Winkelman é um dos Organizadores da Wasiwaska. Antropólogo americano da Universidade de Fênix com vários estudos sobre xamanismos e também de uma abordagem biocultural da religiosidade como no livro Supernatural as Natural – A Biocultural Approach to Religion de sua autoria.

Mikosz, Cindy e Winkelman

Mikosz, Cindy e Winkelman

Um dos momentos importantes para mim foi participar dois dias do Seminário de Arte Visionária realizado em janeiro de 2010, ministrado pelo Prof. Luna e os artistas visionários Alex Grey e Allyson Grey. Nesse encontro tive oportunidade de pedir autorização para usar imagens de autoria desses dois importantes artistas para meu livro que será lançado em 2011 e que reúne anos de pesquisa sobre o tema, resultando na minha tese de doutorado defendida em abril de 2009. Hoje a Arte Visionária se torna cada vez mais conhecida no Brasil e me sinto feliz de encabeçar essa pesquisa sobre arte e consciência atualmente por aqui (CAPES/CNPQ). A Arte Visionária vem se tornando um modismo, como sempre acontece quando algo ganha alguma notoriedade, mas muitos não sabem direito do que se trata. Além de algumas postagens nesse blog, algumas informações podem ser obtidas aqui.

Oficina de Arte Visionária

Alex Grey e Mikosz tentando afastar eletronicamente os pernilongos!

Allyson Grey

Allyson Grey durante o Seminário

Seminário de Arte Visionária

Alguns dos participantes de várias parte do mundo.

Ramachandran e seu cérebro

Como separar produção artística de nossa massa gelatinosa?
Arte pela arte possui uma epistemologia própria? Ou o ser humano* produz arte? (* com todas as implicações do termo…)
Achei divertida as colocações do Ramachandran sobre Freud, acho que isso também mostra o quanto necessitamos revisões na psicologia terapêutica.
Enfim, não é um vídeo discutindo arte e neurociências, pra mim serve de reflexão interdisciplinar, pois tenho visto dificuldades nas pesquisas devido a algumas instituições limitarem a discussão em arte de forma disciplinar, para mim isso é de um reducionismo simplista diante do “ser que produz arte”.
Não consegui colocar o vídeo aqui, mas deixo o link pra quem se interessar (tem legenda em português).

Ramachandran_on_your_mind

A razão pura não existe: nós pensamos com o nosso corpo e nossas emoções.