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Arte e Consciência

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Arte – Ateliê e Academia

Há diversas formas de se relacionar profissionalmente com a arte. Você pode ser um artista que vive única e exclusivamente de sua produção. Existem, mas são poucos os que conseguem. Há os que trabalham em instituições diversas, como em fundações culturais, museus, etc. E há também os que se dividem em ensinar e, dessa forma, tem o sustento para fazer também seus próprios trabalhos. Em relação aos que ensinam podemos dividir em duas categorias: os que têm ateliês livres de pintura, gravura, fotografia, escultura, como os oferecidos pela FCC no Solar do Barão e no Centro de Criatividade e outros em galerias ou ateliês de artistas plásticos pela cidade. E há os que optaram por serem professores universitários. Aqui em Curitiba há várias opções como a UTP, a FAP, A UFPR, a EMBAP, assim como na PUC e na UTFPR onde há o pessoal que circula em meio à produção de cinema, HQ, fotografia, computação gráfica, enfim, a tecnologia aplicada à arte em geral.

Quem decidir pela carreira acadêmica deve estar consciente que ela envolve pesquisa, além da parte prática dos ateliês (excetuando os que já se dedicam a disciplinas teóricas). Para ser professor universitário é exigida a titulação mínima de Especialista e cursada a disciplina de Metodologia do Ensino Superior. Porém, cada vez mais os concursos exigem Mestrado e Doutorado de seus candidatos. É natural que isso aconteça, pois cada vez é maior o número de pessoas que se titulam e as instituições tem maiores benefícios quando seu quadro de professores tem pessoas qualificadas. Por exemplo, a Fundação Araucária incentiva a pesquisa dando bolsas de estudo para professores orientarem alunos em programas de iniciação científica (PIC). Professores com Mestrado podem dar bolsa para um aluno, com Doutorado dois. Isso beneficia os alunos, intensifica a produção dentro da instituição. Quando o quadro de professores doutores é suficiente, é possível se pensar na criação de um mestrado, mais tarde até em um doutorado. Isso significa mais apoio da CAPES/CNPq, mais bolsas, mais verbas são destinadas às universidades, que mais produzem numa relação extremamente simples e lógica de se entender.

Atualmente nas faculdades de arte essa produção se dá tanto pela pesquisa como na produção artístico/cultural, aliás, vendo a documentação da UNESPAR que a EMBAP e a FAP agora fazem parte, mesmo as demais áreas como as Ciências Exatas, também possuem avaliações artístico/culturais. Imagine então o que se espera de professores ligados diretamente ao ensino da arte: muita produção acadêmica e muita produção artística também. As coisas evoluem, se adaptam as necessidades de acordo com a época. No renascimento se aprendia a pintar sendo discípulo de um pintor, iniciava-se como auxiliar e se desenvolvia gradualmente até ser capaz de participar na pintura dos quadros. Até pouco tempo bastava os professores serem formados para darem aulas de arte nas faculdades. Hoje se exige mais do que isso e não é a toa que muitos estudantes manifestam interesse em se tornarem pesquisadores.

Fazendo parte da ANPAP (Associação Nacional dos Pesquisadores em Artes Plásticas), acompanhando programas de mestrado e doutorado tanto na EMBAP/EBA-UFBA, como na UTFPR, fazendo parte de bancas de concursos na FAP e UFPR, fica claro como a produção acadêmica sobre e em arte estimula o pensamento, a reflexão e a produção dos professores nas instituições. Mas, claro, sempre há os que preferem apenas a arte sem o peso da academia, esses podem se dedicar aos ateliês livres como foi comentado, há diversos casos de sucesso de alunos que saíram da EMBAP e hoje são excelentes professores em seus ateliês. E também há os que vivem exclusivamente de sua arte. Para ser um grande artista, nem sempre a vida acadêmica é necessária. Mas nem todo mundo pode ser um Hubert Duprat que, além de artista é pesquisador, mas não está ligado a nenhuma academia, nem se interessa por isso, as academias que vão pesquisá-lo. Cada um deve lutar pelo que acredita e sonha e no lugar certo.

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