Mikosz & Mythosz

Arte e Consciência

Tabula Rasa

O texto abaixo é um pequeno recorte de um capítulo que se encontra no livro Tabula Rasa – A Negação Contemporânea da Natureza Humana – de Steve Pinker, professor de psicologia de Harvard, especialista em Ciências Cognitivas, ex-professor do MIT (um dos maiores centros de pesquisa do planeta) e que traz em seu livro algumas reflexões sobre Arte e Natureza Humana.

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Embora as formas exatas de arte variem muito entre as culturas, as atividades de criar e apreciar arte são reconhecíveis em toda a parte. O filósofo Denis Dutton identificou sete assinaturas universais:

  1. Perícia ou virtuosismo. Habilidades artísticas técnicas são cultivadas, reconhecidas e admiradas.
  2. Prazer não utilitário. As pessoas apreciam a arte pela arte, e não requerem que ela as mantenha aquecidas ou que lhes ponha comida na mesa.
  3. Estilo. Objetos e representações artísticas satisfazem regras de composição que as situam em um estilo reconhecível.
  4. Crítica. As pessoas fazem questão de julgar, avaliar e interpretar obras de arte.
  5. Imitação. Com algumas importantes exceções como música e pintura abstrata, as obras de arte simulam experiências do mundo.
  6. Enfoque especial. A arte é distinguida da vida comum e dá um enfoque dramático à experiência.
  7. Imaginação. Artistas e seus públicos imaginam mundos hipotéticos no teatro da imaginação.

As raízes psicológicas dessas atividades recentemente tornaram-se tema de pesquisas e debates. Alguns pesquisadores, como a acadêmica Ellen Dissanayake, acreditam que a arte é uma adaptação evolutiva, como a emoção do medo e a capacidade de ver em profundidade. Outros, como eu, acreditam que a arte (exceto a narrativa) é um subproduto de outras três adaptações: a ânsia por status, o prazer estético de vivenciar objetos e ambientes adaptativos e a habilidade de elaborar artefatos para atingir os fins desejados. Desta perspectiva, a arte é uma tecnologia de prazer, como as drogas, o erotismo e a culinária refinada – um modo de purificar e concentrar estímulos prazerosos e enviá-los aos nossos sentidos (PINKER 2004, 546).

–> Para ler um pouco mais sobre Steve Pinker, além do site, saiu na Folha de São Paulo uma interessante entrevista com ele e o escritor McEwan aqui.

(Interessante refletir que praticamente apenas nas Artes Visuais algumas coisas “estranhas” acontecem, isto é, você já viu um malabarista apenas deixando cair os malabares? Sim, isso, malabarismo “pós-moderno”. Parece familiar com muitas produções “contemporâneas” de Artes Visuais? Coisa pra se refletir, não? Há muita coisa boa, interessante e importante na arte atual, mas tem muita imitação duchampiana fraca por ai :D).

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