Arquivo para a categoria 'Arte'

09
Jan
09

De Como Quem Menospreza a Pintura, Filosofia e Natureza Não Ama

Se você menosprezar a pintura [figurativa], imitadora solitária de todas as obras visíveis da natureza, de certo desprezarás uma sutil invenção que, com filosofia e sutil especulação, considera as qualidades de todas as formas: mares, paragens, plantas, animais, árvores e flores que se banham de luz e sombra. Esta é, sem dúvida, uma ciência e legítima filha da natureza, que a pariu, para dizer “em boa lei”, sua neta, pois todas as coisas visíveis foram paridas pela natureza e dela nasceu a pintura. De modo que a chamaremos cabalmente de neta da natureza e a colocaremos entre o seu divino parentesco.

Quem reprova a pintura, reprova a natureza, porque as obras do pintor representam as obras dessa mesma natureza e, por isso, tal censor carece de sentimentos.

[Obs: O texto é do Leonardo da Vinci... Não é a toa que a fotografia também tem o estatus de arte, sendo que o que interessa não o ato de apertar um botão, mas do olhar, perfeitamente válido também para a pintura que pode até usar a fotografia como meio de recorte na natureza]

27
Set
08

Painel Cultural de Arte Visionária

Boom Festival 2008, Portugal

(Video com perguntas e respostas sobre Arte Visionária).

Liminal Media Stream Presented by the Elvish Nation, Pod Collective, Elfintome and Crystal and Spore, this historic panel connects key art culture creators from North America, Europe and Asia. Exploring the role and place of art in the new culture, this is a tributary in a 120 hr curriculum confluence featuring over 30 presenters and artists from 23 countries. Over the course of a week the liminal village conference and gallery hosted many of the 30,000 festival goers from 80 countries.

For details on printed media that compliments this experience, contact delvin@crystalandspore.com.

Visionary Art Culture Creators Panel

CONCEPT STEWARD AND MC : Delvin Solkinson

DJ : Naasko Wripple

VJ : Sijay James

FILMED BY : Mari Asada

ART PANEL:

Leo Plaw

Luke Brown

Carey Thompson

Andrew Jones

Zariat

Laurence Caruana

boomfestival.org

podcollective.com

elfintome.com

visionaryrevue.com

lila.info elvism.net

higherglyphiks.com

lightscience.ca

r6xx.com

beinart.org

artofimagination.org

26
Abr
08

Tabula Rasa

O texto abaixo é um pequeno recorte de um capítulo que se encontra no livro Tabula Rasa – A Negação Contemporânea da Natureza Humana – de Steve Pinker, professor de psicologia de Harvard, especialista em Ciências Cognitivas, ex-professor do MIT (um dos maiores centros de pesquisa do planeta) e que traz em seu livro algumas reflexões sobre Arte e Natureza Humana.

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Embora as formas exatas de arte variem muito entre as culturas, as atividades de criar e apreciar arte são reconhecíveis em toda a parte. O filósofo Denis Dutton identificou sete assinaturas universais:

  1. Perícia ou virtuosismo. Habilidades artísticas técnicas são cultivadas, reconhecidas e admiradas.
  2. Prazer não utilitário. As pessoas apreciam a arte pela arte, e não requerem que ela as mantenha aquecidas ou que lhes ponha comida na mesa.
  3. Estilo. Objetos e representações artísticas satisfazem regras de composição que as situam em um estilo reconhecível.
  4. Crítica. As pessoas fazem questão de julgar, avaliar e interpretar obras de arte.
  5. Imitação. Com algumas importantes exceções como música e pintura abstrata, as obras de arte simulam experiências do mundo.
  6. Enfoque especial. A arte é distinguida da vida comum e dá um enfoque dramático à experiência.
  7. Imaginação. Artistas e seus públicos imaginam mundos hipotéticos no teatro da imaginação.

As raízes psicológicas dessas atividades recentemente tornaram-se tema de pesquisas e debates. Alguns pesquisadores, como a acadêmica Ellen Dissanayake, acreditam que a arte é uma adaptação evolutiva, como a emoção do medo e a capacidade de ver em profundidade. Outros, como eu, acreditam que a arte (exceto a narrativa) é um subproduto de outras três adaptações: a ânsia por status, o prazer estético de vivenciar objetos e ambientes adaptativos e a habilidade de elaborar artefatos para atingir os fins desejados. Desta perspectiva, a arte é uma tecnologia de prazer, como as drogas, o erotismo e a culinária refinada – um modo de purificar e concentrar estímulos prazerosos e enviá-los aos nossos sentidos (PINKER 2004, 546).

–> Para ler um pouco mais sobre Steve Pinker, além do site, saiu na Folha de São Paulo uma interessante entrevista com ele e o escritor McEwan aqui.

(Interessante refletir que praticamente apenas nas Artes Visuais algumas coisas “estranhas” acontecem, isto é, você já viu um malabarista apenas deixando cair os malabares? Sim, isso, malabarismo “pós-moderno”. Parece familiar com muitas produções “contemporâneas” de Artes Visuais? Coisa pra se refletir, não? Há muita coisa boa, interessante e importante na arte atual, mas tem muita imitação duchampiana fraca por ai :D ).

21
Abr
08

Notas Sobre a Arte Visionária

Lendo um texto de Laurence Caruana, artista que editou o Manifesto da Arte Visionária, resolvi traduzir e parafrasear aqui algumas dessas idéias que parecem comuns aos artistas que se dedicam a esse tipo de arte. O texto se refere principalmente a pintura, mas pode ter os mesmos valores se traduzidas as idéias para outros meios.

  1. Confrontada pela tecnologia moderna, tal como a fotografia, a arte visionária incorpora estes modos de ver na pintura (veja Pierre Peyrolle em “A Arte Visionária na França”) e mesmo a ultrapassa através da pintura hiper-realista* (veja “Mati Klarwein revisto”). Fazendo isto, a Arte Visionária procura também reproduzir exatamente o que nenhuma fotografia pode: sonhos, visões alucinogênicas, estados psicodélicos, etc.
    (*) Ou Richard Estes, Claudio Bravo ou Chuck Close.
  2. Através de estados alternativos de consciência (os ENOC na minha tese), o artista visionário encontra modos diferenciados de perceber os trabalhos de arte tradicional. Muitas mensagens inesperadas (escondidas previamente ou “despercebidas”) emergem agora, expandindo nossa “estreita, demasiada estreita” percepção da história da arte. O artista visionário tenta integrar esta visão renovada do passado em todos os trabalhos futuros.
  3. Para o Artista Visionário, a tela é como uma janela em outro mundo. Ele não admira a janela em si, ou presta atenção na qualidade do vidro. Faz o médium (tintas, pinceladas, etc) tão transparente quanto possível, de modo que a imagem possa “i-mediatamente” ser apresentada ao observador. Tenta apresentar tão autenticamente quanto possível a visão original.
  4. O discurso* tem uma existência autônoma à parte do artista e do crítico. O título dado pelo artista participa num relacionamento poético com a imagem e o texto crítico explora nas palavras o mesmo assunto alusivo que a pintura explora nas imagens: sonhos, visões, alucinações.
    (*) Laurence se refere ao fato de que muitas obras atuais necessitarem de um conceito para se sustentarem. Material de bom humor sobre isso pode ser lido em A Palavra Pintada de Tom Wolfe.
  5. A Arte Visionária conduz a uma existência marginal. A busca espiritual da maioria dos artistas impossibilita-os de um interesse maior pelo valor material de seu trabalho. Os artistas estão ocupados demais em explorar seus mundos internos para promoverem sua arte como um bem de consumo (atender abertura de galerias, fazer contatos, etc). A pintura permanece como um trabalho de arte, muitas vezes não compreendida pelos “antigos contemporâneos”.
  6. A Arte Visionária é ligada a internet. Melhor que fazer intermediações, a internet apresenta imediatamente as imagens. A web permite acessar os trabalhos livremente e de se comunicar diretamente com o artista. O galerista como o intermediário ou o “porta-voz”, tornam-se obsoletos. E o papel dos galeristas é assumido por artistas autônomos e colecionadores independentes e de visão mais ampla.

Os artistas visionários estão em dia com as pesquisas contemporâneas da psicologia profunda, das neurociências, da física quântica, de novas investigações antropológicas, arqueológicas, de tudo que envolve o homem diante do absoluto misterioso e sua eterna busca de significado.

Movimentos esses típicos do milênio que se inicia e que teve, no caso da cultural ocidental, um primeiro impulso de massa nas décadas de 1950 e 1960 e que são retomadas novamente. É a primeira vez que a ciência se alia de forma lúcida com os fenômenos espirituais.

No Renascimento houve a aproximação da ciência com a arte, uma delas na aplicação da perspectiva desenvolvida por Brunelleschi nas pinturas. Essa época foi marcada pelo antropocentrismo, contapondo um pouco os sentimentos devocionais religiosos que vinham da Idade Média. A época atual não se assemelha ao Renascimento nesse sentido, mas podemos pensar que estamos diante de um humanismo-científico-espiritual em pleno desenvolvimento.

A arte é usada então, como um meio de comunicação, de compartilhamento desse universo, impulso presente desde os tempos da caverna, buscando, como diz L. Caruana: Ser reveladora

20
Fev
08

O que é Arte Visionária?

A definição mais sucinta e de mais fácil entendimento é dizer que a Arte Visionária é o resultado de experiências de expansão de consciência retratadas plasticamente.

Ela não é algo novo, existe desde o tempo das cavernas, passou por artistas como Paolo Ucello, Arcimboldo ou Bosch no Renascimento, na arte de William Blake, esteve presente no Simbolismo, Surrealismo, Realismo Fantástico, Psicodelismo e, atualmente, com os artistas mais consistentemente se dedicando a retratar suas visões e experiências em Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC). No Simbolismo buscou-se retratar estados emocionais, a vida interior do artista, não o real do mundo externo. No Surrealismo buscou-se o mundo do inconsciente, o mundo onírico. No Psicodelismo, o uso de psicoativos, deu início mais consistente do que culminaria na Arte Visionária atual.

Uma pergunta comum é se para ser Arte Visionária, o artista precisa realizar o trabalho artístico sob efeito de alguma substância “alucinógena” como a Ayahuasca, LSD, peiote, etc.

Não propriamente. Os ENOC podem ser conseguidos de diversas formas. Práticas místico-religiosas como jejum, celibato, tantra, mantras e rezas ou cânticos muito repetitivos, músicas específicas, batidas rítmicas de tambores, entre outras, podem levar a estados de expansão da mente. A dor pode ser um elemento, os “faquires” usam essa técnica. Algumas doenças e febres que podem causar delírios ou então esquizofrenia, psicoses, tudo isso é possível de ser usado como Jung fez com alguns pacientes nos desenho de mandalas.
Naturalmente os psicoativos ou substâncias alucinógenas estão presentes e são usados pelos artistas para entrarem em contato mais rapidamente em outros estados de consciência.
Na minha pesquisa comento um pouco a história dos psicoativos, porém me interessa a Ayahuasca por ser uma substância não classificada como “droga” na legislação brasileira e por existirem muitas pesquisas sobre seu uso, seus aspectos médicos e seu impacto social.

Segundo pesquisadores importantes do assunto como David Lewis Williams, já na arte rupestre se encontram elementos visuais conhecidos como entópticos, que atualmente, devidos a testes laboratoriais, ficaram evidenciados como produzidos em ENOC pelos “artistas das cavernas”. Porém não havia a intenção de produzir algo com o nome de “Arte Visionária“, isso só aconteceu nas décadas de 1960/70 em diante.

No caso específico da Ayahuasca, o interesse por uma pesquisa envolvendo-a com a arte é o fato de ela abrir novamente questões interrompidas nos anos 1960 em relação a certas pesquisas sobre a consciência humana. A Ayahuasca, através de algumas religiões brasileiras como o Santo Daime e a União do Vegetal, possibilitaram a abertura de novas pesquisas científicas que despertam interesse no mundo todo novamente, seja pelo lado da saúde, da psicologia, antropologia ou arte.
As artes, segundo Luis Eduardo Luna:

Constituem, sem dúvida, um dos instrumentos mais poderosos para o desvelamento de fenômenos tais como estados não ordinários de consciência.

Devido a isso essa associação Arte-Ayahuasca tem demonstrado ser um caminho extremamente fértil em trabalhos de pesquisa.

Hoje sabe-se que os Estados Não Ordinários de Consciência não são deformações mentais, são estados genuínos de consciência que o ser humano aos poucos vai conhecendo melhor .

15
Jul
06

Infância

Certamente meu interesse em artes visuais foi influenciado por minha mãe.
Quando eu tinha 4 anos de idade eu a acompanhava até a EMBAP onde ela tinha aulas de pintura com Guido Viaro. Até hoje tenho imagens das pinturas que eu fazia lá.
Fui um pintor genial e profícuo quando pequeno. Hoje apenas vivo da fama adquirida desde então :)
Abaixo algumas das obras que fizeram parte de minhas pesquisas artísticas da época:

Essa foi do período neoplástico. Mondrian questionou a centralidade exagerada da composição. Não ficou muito feliz com o círculo embaixo à direita. Ele disse que estava muito subjetivo, pouco espiritual, mas se conformou com a cor verde, já que continha o azul e o amarelo usados por ele.

Essa árvore também fiz pra impressionar o Mondrian e homenagear suas fases anteriores, mas ele disse que eu devia consultar alguns japoneses antes.

Eu não entendi o lance dos japoneses e, então, fiz essa acima, pois havia me interessado pelos trabalhos de alguns fauves e sua liberdade no uso da cor.

Querendo concorrer, enfim, havia descoberto que no mundo temos que ser geniais e concorrer, sempre concorrer: segui os exemplos de Gauguin com o Cristo Amarelo e de Anita Malfatti com o Homem Amarelo, criei então a Mulher Amarela.

Depois enjoei e criei uma mulher mais nítida, porém poucos artistas foram tão objetivos e sintéticos como eu fui (coitados!).

Todo grande artista, principalmente do século passado, teve uma fase Expressionista Abstrato, como dotado de grande talento, aderi a idéia, enfim, era 1960!!!

Mas achei divertido por pouco tempo. Então resolvi aderir a Arte Pop. Como era muito pequeno, entendi errado e troquei Sopa por Sapo e fiz minha série de Sapos Campbell, para estar atualizado com o tio Andy Warhol.

02
Abr
04

13 Vídeo-Arte de Nam June Paik

Nenhum artista teve influência maior em imaginar e realizar o potencial artístico do vídeo e da televisão do que Nam June Paik. Com vastas instalações de vídeos, produções globais de televisão, de filmes e de performances, Paik remodelou nossas percepções da imagem na arte contemporânea.

Nascido na Coréia em 20 de Julho de 1932, estudou história da música, história da arte e filosofia na Universidade de Tóquio onde se graduou com uma monografia sobre Arnold Schoenberg. Em 1956 foi para a Alemanha continuar seus estudos sobre história da música na Universidade de Munique. Lá ele encontra os músicos Karlheinz Stockhausen e John Cage. Ambos influenciaram Paik com suas idéias de composição e performance. Paik trabalhou com Stockhausen em um estúdio para música eletrônica.

Nam June Paike - Pai da Vso-Arte

Mais tarde Paik envolveu-se com o movimento neo-Dada chamado Fluxus fundado por George Maciumas. Convidado a participar do grupo, Paik aceitou. Retornando ao Japão realizou obras com eletromagnetos e televisores junto com o engenheiro eletrônico Shuya Abe.

A partir de 1963, quando Paik e Wolf Vostell realizaram intervenções nas imagens da televisão, a Vídeo-Arte começou a tornar-se parte integrante da arte contemporânea. Paik desenvolveu a Vídeo-Arte e influenciou toda uma geração de artistas desde então.

02
Mar
04

12 O Caleidoscópio e a arte

(do grego kalos=belo, eidos=imagem e scopéo=vejo)

Esse instrumento, vendido ainda hoje como um brinquedo curioso, já foi objeto de consideração artística e científica durante o século XIX. De acordo com Marx e Engels, Saint Simon fingia levar seus leitores de uma idéia para outra quando, na verdade, os mantinha na mesma posição, usando o caleidoscópio como metáfora.

Caleidoscópio

David Brewster, responsável por diversas pesquisas em ótica, inventou o caleidoscópio em 1815.

Para Baudelaire, a invenção do caleidoscópio coincidia com a modernidade em si mesma.

David Brewster declarou que, uma vez que a simetria estava na base da beleza na natureza e nas artes visuais, então o caleidoscópio era apropriado para criar arte através das inversões e multiplicações de formas simples.

O caleidoscópio foi um dos primeiros instrumentos que geravam imagens aleatórias, saindo da inflexibilidade de um fenaquistóscopio que gerava animações com imagens fixas.

A construção de um caleidoscópio é fácil, trata-se de um tubo cilíndrico dentro do qual irão três espelhos colados em forma de prisma. Numa das extremidades são colocados alguns fragmentos de vidro colorido dentro de um compartimento de plástico ou vidro opaco. Na outra extremidade é feito um furo por onde a pessoa pode enxergar os fragmentos de vidro por entre os espelhos. Colocando-se diante da luz e fazendo rolar lentamente o objeto, os pequenos vidros coloridos, com os reflexos dos espelhos, multiplicam-se e dão lugar a numerosas imagens simétricas diferentes.

02
Fev
04

11 A Falsa Tridimensionalidade

Em postagem anterior dissemos que a perspectiva está ligada aos nossos processos de percepção e não a uma “verdade absoluta” a nossa frente.

A ilusão de tridimensionalidade acontece através da união no cérebro de duas imagens planas presentes nas retinas dos olhos. Nossa percepção pode ser facilmente ludibriada se criarmos alguns artifícios para simular o que acontece quando observamos um objeto qualquer.

Por exemplo, podemos bater duas fotos de um objeto deslocando a câmera numa distância aproximada a dos olhos humanos (ou usando adaptadores especiais para isso).

Colocando estas fotos lado a lado e usando algum artifício que permita que o olho esquerdo veja apenas a foto esquerda e o mesmo para a foto e o olho direito, veremos apenas uma foto, uma foto tridimensional.

Um aparelho bastante famoso, desde antes da metade do século passado, que simula imagens tridimensionais é o ViewMaster. Parecido com um binóculo, o ViewMaster possui slides diferentes para cada olho. Porém, no exemplo da imagem acima, você pode visualizar em 3D sem aparelho algum, basta ficar “vesgo”, isso mesmo, tente ver a imagem esquerda com o olho direito e vice-versa. Se tiver sucesso você verá 3 imagens, a do meio em três dimensões.

Este tipo de instrumento surgiu no século XVIII e tornou-se muito popular e, algo aparentemente tão simples, fez a ciência rever conceitos Cartesianos e Newtonianos.

Mas seria possível criar uma imagem tridimensional através de uma única imagem plana? Sim, mas não da forma como observamos os objetos normalmente. Teremos que mudar o foco de atenção para além da imagem.

Algumas imagens planas que podem ser vistas tridimensionalmente são conhecidas como SIRDS (Single Image Random Dots Stereograms) e geradas por algoritmos em computadores, mas é possível criar a ilusão tridimensional apenas respeitando algumas distâncias entre os objetos presentes na imagem como no exemplo abaixo. A técnica aqui é quase ficar vesgo também, tente fazer com que uma bolinha rosa fique em cima de outra na medida que “envesga”, geralmente funciona. Outra maneira é “olhar atrás” da tela do micro, ou seja, ir deixando a vista ficar passiva, não focada. (Clique na imagem para vê-la maior)

Nem todas as pessoas conseguem facilmente ver a tridimensionalidade destas imagens. Experimente deixar a visão passiva como se estivesse perdida no vazio e aos poucos a sensação de profundidades se formará na imagem. Com um pouco de prática ficará mais fácil ver. Abaixo SIRDS mais complexos. Se tiver sucesso verá um bule e a palavra “Caltech”. Novamente aqui a técnica é não focar na imagem, olhar “além” dela.

02
Jan
04

10 Então a tecnologia sempre esteve presente?

As artes visuais estão necessariamente condicionadas aos aspectos técnicos. A palavra grega téchne, de onde derivou tecnologia, se referia a toda prática produtiva, inclusive a produção artística.

Uma pintura feita na pré-história ou a última versão de um software utilizado para alguma forma de expressão digital em um computador, dependem de um conhecimento técnico e um procedimento lógico-matemático por parte do artista.

Então, a tecnologia esteve sempre presente? De certa forma sim, talvez não como nos acostumamos hoje. Quando se fala em tecnologia atualmente, não se pensa em algo como extração de pigmentos, seu processo de moagem e a mistura com óleos adequados para produzir tinta. Se pensa em eletrônica, computadores, vídeos, câmeras digitais e coisas do gênero. A Arte Tecnológica seria aquela onde o artista utiliza essas novas mídias (ou novos meios) em seu trabalho.

Alguns livros de história da arte falam pouco da aproximação da arte com a tecnologia, mesmo quando ela era evidente. O Futurismo, movimento artístico que reverenciou a sociedade tecnológica, seus aparelhos e a velocidade vertiginosa, usou técnicas tradicionais do passado em suas obras. Eles ficariam muito bravos se ouvissem isso, mas é verdade.

Podemos dizer que o início das aproximações da arte com a tecnologia se deu no início da década de 60. O engenheiro Billy Klüver colaborou com artistas como Jean Tinguely e suas engenhocas, Robert Rauschenberg, Andy Warhol, Jasper Johns, Merce Cunningham e John Cage, entre outros.

A crítica não viu com bons olhos algumas dessas obras, por exemplo, Claes Oldenburg com sua obra “Saco de Gelo Gigante” feita de plástico e metal, que possuía um motor interno programado para se movimentar como se alguém a tivesse colocado sobre a cabeça e sentisse sua cefaléia aliviada. Esse trabalho recebeu do historiador da arte H.W. Janson o seguinte comentário:

Agradam, surpreendem, divertem, mas não nos comovem.

No Brasil, o pioneiro foi Waldemar Cordeiro que começou a trabalhar com computadores em 1968 no Centro de Processamento de Imagens da Unicamp, e realizou em 1972, em São Paulo, a mostra Arteônica – O Uso Criativo dos Meios Eletrônicos em Arte.

Abaixo alguns links úteis onde é possível encontrar produções e esclarecimentos sobre Arte Tecnológica.

http://www.itaucultural.org.br

http://010101.sfmoma.org/

http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br