Mikosz & Mythosz

Arte e Consciência

Guitarras & + Guitarras

Recentemente comprei esse modelo de guitarra acima. Tenho guitarras desde os 11 anos de idade e já revendi muitas. A primeira que tive foi uma Super Sonic da Giannini, estilo Fender Stratocaster. Usar a alavanca nesse modelo de guitarra é pedir para nunca ficar afinado. Basta ouvir gênios como Jimi Hendrix. Eu implicava tanto com isso que poderia ter inventado a Floyd Rose! (sistema que resolve a questão).

Quem é apaixonado por este instrumento sabe a inquietação que existe em se conseguir uma guitarra perfeita. Mas, depois de tantos anos, muitos mitos caem por terra. Será que é puro marketing e fetiche que a maioria das grandes bandas sempre estão equipadas com Fenders e Gibsons? Claro, outras marcas aparecem, mas de longe são a maioria: Ibanez, Jackson, ESP, BC Rich, etc. O que elas tem realmente de superiores as demais? NADA! Pode acreditar, nada! (naturalmente há séries ruins, outro dia peguei uma Epiphone – série barata da Gibson – terrível! E tive uma Squier – série barata da Fender – que empenou o braço, mas há bons modelos, eu falo aqui dos mitos…)

Como eu detestava as pontes estilo Fender por não materem a guitarra afinada, caso a alavanca fosse realmente usada, as pontes estilo Floyd Rose foram a solução. Mas muitas das análises técnicas, revisões, comentavam da perda do som e da sustentação do som em guitarras equipadas assim. Oras, as Fender se equiparam no tipo de ponte, apenas não tem as travas que impedem as cordas de desafinarem. Puro mito. Outra coisa ou “defeito”, são as guitarras de braço parafusado ao corpo, melhor as de braço inteiriço com o corpo. Well, as Fender são parafusadas… será mal gosto dos guitarristas que podem ter qualquer guitarra? Fetiche ou são patrocinados pela marca? (Hummm, possibilidades!…)

Já as Gibson não tem alavanca, um problema a menos. Mas o braço também não é parafusado… opa, perto da perfeição? Não é parafusado, mas é colado, também não é braço inteiriço como “recomendado”. Mas não tem alavanca, se você gosta dessa possibilidade de expressão, essa não é a sua guitarra (mas pode ser “uma outra”).

As duas guitarras mais conhecidas, a Stratocaster da Fender e a Les Paul da Gibson, tem características bem diferentes. Os captadores da Fender são “single”, dão som cristalino, agudo; já os da Gibson são “humbucker”, trabalham com duas bobinas (single) ligadas de forma a cortarem um zumbido (60Hz) que fica muito claro nas Fender quando ligadas na distorção (estou hiper resumindo aqui).

O interessante que fábricas como a Ibanez, acabam desenvolvendo instrumentos versáteis e com baixo custo. Por exemplo, eu comprei uma RG 7320, custou US$ 530. Além de ser um modelo de 7 cordas, ela possui dois humbuckers que, acionados por uma chave de cinco posições, faz combinações de sons lembrando as características dos “single” (Fender) e dos “humbuckers” (Gibson). O braço é construído em cinco partes, ao invés de madeira única. Dizem que isso é grande vantagem em relação a estabilidade do braço (porém, Fender e Gibson parece não estarem muito preocupadas com isso).

Outra compra “engraçada” que fiz, foi a BC Rich na foto acima. Uma guitarra “made in China” de US$ 299. Comprei como “terceira guitarra”, por não ter alavanca e ter captadores, tudo no estilo Gibson, com a vantagem de ter 24 trastes e não apenas 22 da Gibson. (Desvantagem para alguns em relação ao som, uma vez que os captadores não ficam na mesma posição da Gibson – e precisa??? – a desvantagem é que você acerta mais facilmente o captador com a palheta, isso faz ruído, então tem que se condicionar para que isso não aconteça, bom treino para avivar os neurônios!). Como sou inquieto, antes da guitarra chegar eu já estava comprando ponte de melhor marca e comprei um captador original Gibson, só ele mais de 1/3 do valor total da guitarra… e, para surpresa minha, os captadores originais são suficientemente bons (o do braço, o melhor de todos até agora!), não precisa ser mudado (alguém que comprar o Gibson? Burstbucker #3). O braço da “xing-ling”, mortal meu amigo, nunca vi ação tão boa, baixa, perfeita, num instrumento assim. Pra que eu não ficasse muito decepcionado com tudo funcionando – graças! – a parte da fiação, da chave e potenciometros, relamente uma merda, desculpe a expressão… mas, então, oooobbaaaa, coisa pra se mexer, pedi para o DiCastelli’s trocar toda essa parte. Veio uma guitarra impecável, super quieta, mesmo em altos volumes em alto ganho, fácil de tocar (escala menor um pouco que as Gibson – 24-5/8″ contra 24-75″, já as Fender e Ibanez 25-5″, as cordas ficam um pouco mais tensas).

Então, por qual motivo alguém pagaria pelo menos 4 vezes a mais por uma Gibson? (há modelos de 10 x mais cara e além, fácil fácil!). Medo de ser chamado de “xing-ling”? Certamente sim, como falei, uma questão de marketing, fetiche, fama, história, lendas, enfim, coisas que temos que respeitar. Tanto é que não descarto comprar uma Gibson como quarta guitarra, hehehe. Enfim, nós humanos somos sim, engraçados, em relação a essas coisas. Por exemplo, na minha Ibanez coloquei captadores DiMarzio no lugar dos que vieram. Estou em dúvida até agora no que ficou melhor, os originais falavam muito! Well, estão guardados… :-/

Quantos mitos. Mas isso é bom, todos temos que sobreviver, agradeçam então nossas inquietudes: mercado de instrumentos musicais! :-P

Tenho dito! :-)

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