A definição mais sucinta e de mais fácil entendimento é dizer que a Arte Visionária é o resultado de experiências de expansão de consciência retratadas plasticamente.
Ela não é algo novo, existe desde o tempo das cavernas, passou por artistas como Paolo Ucello, Arcimboldo ou Bosch no Renascimento, na arte de William Blake, esteve presente no Simbolismo, Surrealismo, Realismo Fantástico, Psicodelismo e, atualmente, com os artistas mais consistentemente se dedicando a retratar suas visões e experiências em Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC). No Simbolismo buscou-se retratar estados emocionais, a vida interior do artista, não o real do mundo externo. No Surrealismo buscou-se o mundo do inconsciente, o mundo onírico. No Psicodelismo, o uso de psicoativos, deu início mais consistente do que culminaria na Arte Visionária atual.
Uma pergunta comum é se para ser Arte Visionária, o artista precisa realizar o trabalho artístico sob efeito de alguma substância “alucinógena” como a Ayahuasca, LSD, peiote, etc.
Não propriamente. Os ENOC podem ser conseguidos de diversas formas. Práticas místico-religiosas como jejum, celibato, tantra, mantras e rezas ou cânticos muito repetitivos, músicas específicas, batidas rítmicas de tambores, entre outras, podem levar a estados de expansão da mente. A dor pode ser um elemento, os “faquires” usam essa técnica. Algumas doenças e febres que podem causar delírios ou então esquizofrenia, psicoses, tudo isso é possível de ser usado como Jung fez com alguns pacientes nos desenho de mandalas.
Naturalmente os psicoativos ou substâncias alucinógenas estão presentes e são usados pelos artistas para entrarem em contato mais rapidamente em outros estados de consciência.
Na minha pesquisa comento um pouco a história dos psicoativos, porém me interessa a Ayahuasca por ser uma substância não classificada como “droga” na legislação brasileira e por existirem muitas pesquisas sobre seu uso, seus aspectos médicos e seu impacto social.
Segundo pesquisadores importantes do assunto como David Lewis Williams, já na arte rupestre se encontram elementos visuais conhecidos como entópticos, que atualmente, devidos a testes laboratoriais, ficaram evidenciados como produzidos em ENOC pelos “artistas das cavernas”. Porém não havia a intenção de produzir algo com o nome de “Arte Visionária“, isso só aconteceu nas décadas de 1960/70 em diante.
No caso específico da Ayahuasca, o interesse por uma pesquisa envolvendo-a com a arte é o fato de ela abrir novamente questões interrompidas nos anos 1960 em relação a certas pesquisas sobre a consciência humana. A Ayahuasca, através de algumas religiões brasileiras como o Santo Daime e a União do Vegetal, possibilitaram a abertura de novas pesquisas científicas que despertam interesse no mundo todo novamente, seja pelo lado da saúde, da psicologia, antropologia ou arte.
As artes, segundo Luis Eduardo Luna:
Constituem, sem dúvida, um dos instrumentos mais poderosos para o desvelamento de fenômenos tais como estados não ordinários de consciência.
Devido a isso essa associação Arte-Ayahuasca tem demonstrado ser um caminho extremamente fértil em trabalhos de pesquisa.
Hoje sabe-se que os Estados Não Ordinários de Consciência não são deformações mentais, são estados genuínos de consciência que o ser humano aos poucos vai conhecendo melhor .

Acredito que somos todos visionarios.São tantas substancias e outras formas de interferencias que nos agridem e fazem parte do nosso dia a dia que muitas vezes deixamos de estar em estado de “vigilia”.A maior parte do tempo as pessoas são sonambulas e talvez este estado é que seja o “normal”.
Deve se distinguir esta da chamada Arte psicodélica que usualmente se refere a arte inspirado por experiencia psicodélica induzida por drogas psicodislépticas (alucinógena) a palavra psicodélico foi proposta pelo psicólogo británico Humphry Osmond que se origina da composição das palavras gregas psiké (ψυχή – alma) e delos(δήλος – manifestação) na concepção psicanalítica “revelando o inconsciente”.
Osmond é o mesmo que trabalhou com Huxley nas experiências com mescalina que resultaram no livro “As portas da percepção” (1954). Há quem afirme que Psicodélico não é um termo surgido nos anos 60, e que o dicionário de língua portuguesa escrito por Jânio Quadros na década de 50 já trazia o verbete “psicodélico”.
A expressão “visionária” (experiência visionária), por sua vez, pode ser relacionada aos textos incluídos nos livros de C. G. Jung – O Homem e seus símbolos e “O espírito na arte e na ciência”.
A relação com drogas alucinógenas nos conduzem a dois temas inquietantes e complexos (1) a associação à experiência psicótica e a distição desta da experência mística e (2) a natureza da alucinação ou seja padrões típicos distinção das ilusões cognitivas (ilusões de óptica ou distorções da percepção) etc.
Atribui-se a Esquirol (1772 – 1840) a definição ainda hoje usual de alucinação, percepção sem objeto relacionado ao órgão sensorial. A possível existência de padrões recorrente é que caracterizaria um estilo de arte.
A experiência visionária é por sua vez indescritível vem do coração do artista para seu povo e sua cultura parafraseando Jung” A forma visionária a qual já nos referimos, rasga de alto a baixo a cortina na qual estão pintadas as imagens cósmicas, permitindo uma visão das profundezas incompreensíveis daquilo que ainda não se formou. Trata-se de outrs mundos? Ou de um obscurecimento do espírito? Ou das fontes originárias da alma humana? Ou ainda do futuro das gerações vindouras? Não podemos responder a essas questões nem pela afirmativa, nem pela negativa.
Configurar e reconfigurar: Eterno prazer do sentido eterno. Jung Psicologia e poesia in oC.