(colocarei aqui no Blog uma série de mini artigos que escrevi como consultor de Arte e Tecnologia do site da Rede Independência de Comunicação – RIC entre 2003 e 2004, numerados na seqüência em que sairam).
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Normalmente não questionamos as coisas que vemos. Temos consciência que podemos ser enganados às vezes por ilusões visuais, mas achamos que mesmo elas estão sob nosso controle, que interagimos de forma lúdica com elas.
Sabemos que nem todas as pessoas enxergam de modo igual devido a problemas como miopia, hipermetropia, daltonismo ou astigmatismo e que essas pessoas enxergaram os objetos mais embaçados, com as cores não muito nítidas (ou mesmo são cegos para algumas delas) como as pessoas de visão normal.
Podemos estudar a visão humana pelo seu lado anatômico, fisiológico, psicológico entre outros, para conhecer um pouco mais sobre nossa percepção visual.
Porém, logo de início surge uma questão: em nosso sistema visual, que fatores interferem no nosso modo de ver as coisas? Basta o sistema estar em perfeitas condições de saúde para que o analisemos anatômica e fisiologicamente obtendo assim as respostas que precisamos ou, além disso, temos um conteúdo interno, um repertório cultural aprendido desde o nascimento que pode “modelar” nossa forma de ver?
Se resolvermos que basta estudar a formação e o funcionamento do olho para tirar nossas dúvidas, ainda nos faltará um estudo da atuação dos estímulos luminosos recebidos pelo cérebro. Recebemos estímulos luminosos de um mundo tridimensional que se planifica em duas dimensões quando projetados na retina. Os dois olhos tomam imagens com ângulos levemente diferentes um do outro. No cérebro estas duas imagens se fundem dando a sensação da tridimensionalidade novamente. Mas será que sabemos tudo à respeito?
Levando em conta que os olhos possuem um sistema de lentes, podemos até comparar com uma câmera fotográfica e deduzir que, já de início, “deformamos” o que enxergamos com a curvatura de nossas lentes oculares.
Quem está acostumado com fotografia, cinema, ou com geração de imagens 3D em computadores, sabe que são possíveis interpretações diferentes das imagens tomadas ou criadas, com uma simples troca de lentes. Os ângulos da perspectiva, diferenças entre a distância de primeiro plano e plano de fundo por exemplo. A perspectiva é uma ilusão e não algo real a nossa frente (para quem quiser se aprofundar nessa questão pode ler Erwin Panofsky – A Perspectiva como forma simbólica).
Então fica mais fácil de imaginar que através do nosso crescimento e desenvolvimento dentro em um determinado tipo de cultura, com um tipo específico de “paisagem”, acabamos sofrendo influências na nossa forma de ver. Certamente nossa percepção difere de alguém que tenha convivido mais em contato com uma floresta, como os indígenas por exemplo. Também podemos investigar como o contato com a televisão, cinema, fotografia, o computador e outras tecnologias da mesma natureza visual, alteram nossa percepção.
Observe o desenho abaixo, há triângulos mesmo ali? Repare que há um invisível que forma seus vértices nos círculos negros (são círculos?) e que esse triângulo é mais claro que o fundo. Coisas de nossa percepção. Voltaremos a esse assunto…
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