Ayahuasca Patrimônio Imaterial

Postado em Ayahuasca, Espiritualidade com categorias, , , , às 5/Maio/2008 por mikosz

Reconhecimento da Ayahuasca como patrimônio histórico cultural brasileiro encontra apoio junto ao Ministério da Cultura. A idéia é tornar o uso religioso da Ayahuasca no Brasil Patrimônio Imaterial a exemplo de outros como:

  1. Ofício das paneleiras de goiabeiras
  2. Kusiwa – Linguagem e arte gráfica wajãpi
  3. Círio de Nossa Senhora de Nazaré
  4. Samba-de-roda do recôncavo baiano
  5. Modo de fazer viola-de-vocho
  6. Ofício das baianas de acarajé
  7. Jongo no sudeste
  8. Cachoeira de Iauaretê – Lugar sagrado dos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri
  9. Feira de Caruaru
  10. Frevo
  11. Tambor de crioula do Maranhão
  12. Samba do Rio de Janeiro

Ninguém é Nonsense

Postado em Pessoal com categorias, às 1/Maio/2008 por mikosz

…Olhe para a estrada, e veja se pode avistar algum deles.

- Ninguém aparece na estrada - disse ela.

- Oh! Quem me dera ter tais olhos! - Observou o Rei em tom impertinente. - Poder ver Ninguém! E a esta distância! Porque eu, o mais que posso fazer, com estes olhos, é ver as pessoas de verdade.

E Alice não podia negar que ele dissera assim mesmo.

- Quem você encontrou na estrada? - Continuou o Rei, erguendo a mão para o Mensageiro lhe dar mais feno.

- Ninguém.

- Muito bem: esta menina também o avistou. Assim, é claro que Ninguém caminha mais devagar do que você.

- Eu faço o que posso - disse o Mensageiro, assomado. - Estou certo de que ninguém caminha muito mais ligeiro do que eu.

- Não é possível - disse o Rei -; senão ele teria chegado aqui primeiro… Mas, visto que você já tomou fôlego, pode contar-nos o que aconteceu na cidade.

(CARROL, Lewis (2007). Alice no País dos Espelhos. Editora Martin Claret. São Paulo)

Este texto me deu ataque de riso de madrugada, me foi prazerosamente engraçado como o texto da Matemática. Bom humor é sempre bem vindo, “não há nada mais ridículo do que levar a vida a sério”, enfim… :D

Tabula Rasa

Postado em Arte, Consciência, Natureza Humana com categorias, às 26/Abril/2008 por mikosz

O texto abaixo é um pequeno recorte de um capítulo que se encontra no livro Tabula Rasa - A Negação Contemporânea da Natureza Humana - de Steve Pinker, professor de psicologia de Harvard, especialista em Ciências Cognitivas, ex-professor do MIT (um dos maiores centros de pesquisa do planeta) e que traz em seu livro algumas reflexões sobre Arte e Natureza Humana.

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Embora as formas exatas de arte variem muito entre as culturas, as atividades de criar e apreciar arte são reconhecíveis em toda a parte. O filósofo Denis Dutton identificou sete assinaturas universais:

  1. Perícia ou virtuosismo. Habilidades artísticas técnicas são cultivadas, reconhecidas e admiradas.
  2. Prazer não utilitário. As pessoas apreciam a arte pela arte, e não requerem que ela as mantenha aquecidas ou que lhes ponha comida na mesa.
  3. Estilo. Objetos e representações artísticas satisfazem regras de composição que as situam em um estilo reconhecível.
  4. Crítica. As pessoas fazem questão de julgar, avaliar e interpretar obras de arte.
  5. Imitação. Com algumas importantes exceções como música e pintura abstrata, as obras de arte simulam experiências do mundo.
  6. Enfoque especial. A arte é distinguida da vida comum e dá um enfoque dramático à experiência.
  7. Imaginação. Artistas e seus públicos imaginam mundos hipotéticos no teatro da imaginação.

As raízes psicológicas dessas atividades recentemente tornaram-se tema de pesquisas e debates. Alguns pesquisadores, como a acadêmica Ellen Dissanayake, acreditam que a arte é uma adaptação evolutiva, como a emoção do medo e a capacidade de ver em profundidade. Outros, como eu, acreditam que a arte (exceto a narrativa) é um subproduto de outras três adaptações: a ânsia por status, o prazer estético de vivenciar objetos e ambientes adaptativos e a habilidade de elaborar artefatos para atingir os fins desejados. Desta perspectiva, a arte é uma tecnologia de prazer, como as drogas, o erotismo e a culinária refinada - um modo de purificar e concentrar estímulos prazerosos e enviá-los aos nossos sentidos (PINKER 2004, 546).

–> Para ler um pouco mais sobre Steve Pinker, além do site, saiu na Folha de São Paulo uma interessante entrevista com ele e o escritor McEwan aqui.

(Interessante refletir que praticamente apenas nas Artes Visuais algumas coisas “estranhas” acontecem, isto é, você já viu um malabarista apenas deixando cair os malabares? Sim, isso, malabarismo “pós-moderno”. Parece familiar com muitas produções “contemporâneas” de Artes Visuais? Coisa pra se refletir, não? Há muita coisa boa, interessante e importante na arte atual, mas tem muita imitação duchampiana fraca por ai :D).

Notas Sobre a Arte Visionária

Postado em Arte, Consciência, Espiritualidade com categorias, às 21/Abril/2008 por mikosz

Lendo um texto de Laurence Caruana, artista que editou o Manifesto da Arte Visionária, resolvi traduzir e parafrasear aqui algumas dessas idéias que parecem comuns aos artistas que se dedicam a esse tipo de arte. O texto se refere principalmente a pintura, mas pode ter os mesmos valores se traduzidas as idéias para outros meios.

  1. Confrontada pela tecnologia moderna, tal como a fotografia, a arte visionária incorpora estes modos de ver na pintura (veja Pierre Peyrolle em “A Arte Visionária na França”) e mesmo a ultrapassa através da pintura hiper-realista* (veja “Mati Klarwein revisto”). Fazendo isto, a Arte Visionária procura também reproduzir exatamente o que nenhuma fotografia pode: sonhos, visões alucinogênicas, estados psicodélicos, etc.
    (*) Ou Richard Estes, Claudio Bravo ou Chuck Close.
  2. Através de estados alternativos de consciência (os ENOC na minha tese), o artista visionário encontra modos diferenciados de perceber os trabalhos de arte tradicional. Muitas mensagens inesperadas (escondidas previamente ou “despercebidas”) emergem agora, expandindo nossa “estreita, demasiada estreita” percepção da história da arte. O artista visionário tenta integrar esta visão renovada do passado em todos os trabalhos futuros.
  3. Para o Artista Visionário, a tela é como uma janela em outro mundo. Ele não admira a janela em si, ou presta atenção na qualidade do vidro. Faz o médium (tintas, pinceladas, etc) tão transparente quanto possível, de modo que a imagem possa “i-mediatamente” ser apresentada ao observador. Tenta apresentar tão autenticamente quanto possível a visão original.
  4. O discurso* tem uma existência autônoma à parte do artista e do crítico. O título dado pelo artista participa num relacionamento poético com a imagem e o texto crítico explora nas palavras o mesmo assunto alusivo que a pintura explora nas imagens: sonhos, visões, alucinações.
    (*) Laurence se refere ao fato de que muitas obras atuais necessitarem de um conceito para se sustentarem. Material de bom humor sobre isso pode ser lido em A Palavra Pintada de Tom Wolfe.
  5. A Arte Visionária conduz a uma existência marginal. A busca espiritual da maioria dos artistas impossibilita-os de um interesse maior pelo valor material de seu trabalho. Os artistas estão ocupados demais em explorar seus mundos internos para promoverem sua arte como um bem de consumo (atender abertura de galerias, fazer contatos, etc). A pintura permanece como um trabalho de arte, muitas vezes não compreendida pelos “antigos contemporâneos”.
  6. A Arte Visionária é ligada a internet. Melhor que fazer intermediações, a internet apresenta imediatamente as imagens. A web permite acessar os trabalhos livremente e de se comunicar diretamente com o artista. O galerista como o intermediário ou o “porta-voz”, tornam-se obsoletos. E o papel dos galeristas é assumido por artistas autônomos e colecionadores independentes e de visão mais ampla.

Os artistas visionários estão em dia com as pesquisas contemporâneas da psicologia profunda, das neurociências, da física quântica, de novas investigações antropológicas, arqueológicas, de tudo que envolve o homem diante do absoluto misterioso e sua eterna busca de significado.

Movimentos esses típicos do milênio que se inicia e que teve, no caso da cultural ocidental, um primeiro impulso de massa nas décadas de 1950 e 1960 e que são retomadas novamente. É a primeira vez que a ciência se alia de forma lúcida com os fenômenos espirituais.

No Renascimento houve a aproximação da ciência com a arte, uma delas na aplicação da perspectiva desenvolvida por Brunelleschi nas pinturas. Essa época foi marcada pelo antropocentrismo, contapondo um pouco os sentimentos devocionais religiosos que vinham da Idade Média. A época atual não se assemelha ao Renascimento nesse sentido, mas podemos pensar que estamos diante de um humanismo-científico-espiritual em pleno desenvolvimento.

A arte é usada então, como um meio de comunicação, de compartilhamento desse universo, impulso presente desde os tempos da caverna, buscando, como diz L. Caruana: Ser reveladora

O que é Arte Visionária?

Postado em Arte, Ayahuasca, Consciência, Espirais, Espiritualidade com categorias às 20/Fevereiro/2008 por mikosz

A definição mais sucinta e de mais fácil entendimento é dizer que a Arte Visionária é o resultado de experiências de expansão de consciência retratadas plasticamente.

Ela não é algo novo, existe desde o tempo das cavernas, passou por artistas como Paolo Ucello, Arcimboldo ou Bosch no Renascimento, na arte de William Blake, esteve presente no Simbolismo, Surrealismo, Realismo Fantástico, Psicodelismo e, atualmente, com os artistas mais consistentemente se dedicando a retratar suas visões e experiências em Estados Não Ordinários de Consciência (ENOC). No Simbolismo buscou-se retratar estados emocionais, a vida interior do artista, não o real do mundo externo. No Surrealismo buscou-se o mundo do inconsciente, o mundo onírico. No Psicodelismo, o uso de psicoativos, deu início mais consistente do que culminaria na Arte Visionária atual.

Uma pergunta comum é se para ser Arte Visionária, o artista precisa realizar o trabalho artístico sob efeito de alguma substância “alucinógena” como a Ayahuasca, LSD, peiote, etc.

Não propriamente. Os ENOC podem ser conseguidos de diversas formas. Práticas místico-religiosas como jejum, celibato, tantra, mantras e rezas ou cânticos muito repetitivos, músicas específicas, batidas rítmicas de tambores, entre outras, podem levar a estados de expansão da mente. A dor pode ser um elemento, os “faquires” usam essa técnica. Algumas doenças e febres que podem causar delírios ou então esquizofrenia, psicoses, tudo isso é possível de ser usado como Jung fez com alguns pacientes nos desenho de mandalas.
Naturalmente os psicoativos ou substâncias alucinógenas estão presentes e são usados pelos artistas para entrarem em contato mais rapidamente em outros estados de consciência.
Na minha pesquisa comento um pouco a história dos psicoativos, porém me interessa a Ayahuasca por ser uma substância não classificada como “droga” na legislação brasileira e por existirem muitas pesquisas sobre seu uso, seus aspectos médicos e seu impacto social.

Segundo pesquisadores importantes do assunto como David Lewis Williams, já na arte rupestre se encontram elementos visuais conhecidos como entópticos, que atualmente, devidos a testes laboratoriais, ficaram evidenciados como produzidos em ENOC pelos “artistas das cavernas”. Porém não havia a intenção de produzir algo com o nome de “Arte Visionária“, isso só aconteceu nas décadas de 1960/70 em diante.

No caso específico da Ayahuasca, o interesse por uma pesquisa envolvendo-a com a arte é o fato de ela abrir novamente questões interrompidas nos anos 1960 em relação a certas pesquisas sobre a consciência humana. A Ayahuasca, através de algumas religiões brasileiras como o Santo Daime e a União do Vegetal, possibilitaram a abertura de novas pesquisas científicas que despertam interesse no mundo todo novamente, seja pelo lado da saúde, da psicologia, antropologia ou arte.
As artes, segundo Luis Eduardo Luna:

Constituem, sem dúvida, um dos instrumentos mais poderosos para o desvelamento de fenômenos tais como estados não ordinários de consciência.

Devido a isso essa associação Arte-Ayahuasca tem demonstrado ser um caminho extremamente fértil em trabalhos de pesquisa.

Hoje sabe-se que os ENOC não são deformações mentais, não são psicomiméticos apenas, não imitam “loucuras”, mas são estados autênticos de consciência que podemos fechar aqui com as palavras de William James:

Nossa consciência vigilante normal, a denominada consciência racional, não é mais do que um tipo especial de consciência separada de outros tipos de consciência completamente diferentes pela mais fina das camadas… Nenhuma descrição do Universo em sua totalidade que deixe essas outras formas de consciência no esquecimento poderá ser efetiva.

Malditos Vegetarianos!

Postado em Consciência, Natureza Humana com categorias às 30/Outubro/2007 por mikosz

Não, não se trata de nada disso.

O fato é que somos fadados pela Mãe Natureza a viver, desde que matemos algo, seja animal ou vegetal, alguém tem que morrer.

E tampouco se trata da posição na escala evolutiva, não há seres vivos superiores uns aos outros.

Não teime, não há.

Somos uma cadeia, um sistema, interdependentes e, o “pior”, nossa estrutura vital básica é similar, todos temos o mesmo DNA, isto é, algumas combinações de letras, textos diferentes, apenas isso, mas não dá pra dizer “superior”, apenas mais complexo talvez.

Tenho pena dos animais que comemos, não só pelo confinamento e maus tratos que recebem, tenho pena também dos que fogem amedrontados, adrenalinados diante de um ataque de leões, hienas, lobos, cachorros ou gatos… já repararam a resignação quando são finalmente alcançados? É comovente, quase como uma rendição a uma determinação, essa sim, superior…

Os vegetais não gritam, pelo menos não ao alcance do ouvido humano. Nunca ouvi nenhum me xingando tampouco. Porém desenvolvem defesas, é óbvio que não querem morrer. O fato do grito ser silencioso não nos dá esse direito, talvez não o tenhamos mesmo, mas se não matarmos nem a alfacezinha, morremos nós.

Daí vem aquele pessoal que diz que ouvindo Heavy Metal (gostei dessa!) as plantas até se desenvolvem mais. Puxa, quer dizer que logo descubro que elas também sabem que as matamos e se magoam com isso!

E quanta discussão tola a respeito de comprimentos do intestino humano e de sua arcada dentária…

E não adianta se rebelar. Somos feitos para sentir tudo que interessar para a natureza aumentar o número de DNAs no planeta, algum propósito evolucionista que ainda me escapa ao mesmo tempo que me é evidente. Olhe lá a garota gostosa, olhe lá o garotão, pronto, mais DNAs por ai, simples como isso, você é mero cumpridor de expectativas naturais, e se acha o máximo no meio disso, tsc,tsc, tsc!

Ser humano, ser consciente, é complicado, só resta crer firmemente na reencarnação e que tudo não passa de um mal entendido, está tudo certo, nada morre na verdade. Ou escapar pela ciência, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, seja vegetal ou animal…

II Simpósio Nacional Sobre Consciência

Postado em Arte, Consciência, Natureza Humana com categorias às 20/Julho/2007 por mikosz

Recentemente fui convidado a dar um seminário no II Simpósio Nacional Sobre Consciência que ocorrerá de 21 a 23 de Setembro de 2007 em Salvador-BA.
O trabalho que apresentarei segue minha linha de pesquisa de doutoramento:

Estados Não Ordinários de Consciência e a Arte.
O simpósio costuma reunir pesquisadores e professores experientes, será uma ótima oportunidade para trocar conhecimentos.
Agradecemos aos organizadores, em especial a Profa Karen Sasaki pela atenção.

Tese Doutorado

Postado em Arte, Ayahuasca, Consciência, Espirais, Espiritualidade, Natureza Humana com categorias, , , às 26/Junho/2007 por mikosz


Abaixo apresento o resumo do projeto de tese já qualificado em Abril de 2007.

O presente estudo visa investigar as representações das espirais – e imagens a ela relacionadas como vórtices, fractais, túneis, círculos, mandalas, labirintos e serpentes – como é expressa nas artes visuais, analisando-se seu significado e simbologia. A análise simbólica se faz através de referências teóricas de participantes do Círculo de Eranos* tais como Erich Neumann, Gilbert Durand, Joseph Campbell, Mircea Eliade e Carl Gustav Jung.

As imagens supracitadas, como veremos, costumam aparecer em experiências de pessoas em estados não ordinários de consciência (ENOC), sejam através do uso de psicoativos, diversas práticas de êxtase místico-religiosas ou mesmo em alguns casos de distúrbios psicológicos. Devido a isso, optou-se recortar o tema enfocando a presença dessas imagens nas pinturas produzidas por artistas sob a inspiração da Ayahuasca[1].

Além dos trabalhos de artes visuais, serão tomados depoimentos de pessoas sobre suas experiências com a Ayahuasca que descrevam de algum modo experiências análogas às imagens das espirais ou vórtices.

Sendo a Ayahuasca um psicoativo, e dando ênfase à interdisciplinaridade da pesquisa, a tese se referencia nesse quesito, estados não ordinários de consciência, sob o prisma de autores/pesquisadores do assunto como David Lewis Williams, Benny Shanon, Ralph Metzner, Rick Strassmann, Jeremy Narby entre outros.

Palavras-chave: Artes Visuais; Ayahuasca; Espiral; Imaginário; Simbólico.


[1] Para maiores explicações sobre a Ayahuasca veja o Capítulo 2.1 da tese.

* Fundado em 1933 por Olga Fröbe (1881-1962) é um grupo de discussão de intelectuais dedicados aos assuntos espirituais que se reúnem anualmente na Suíça. Propõe a mediação do simbólico, abordando os conflitos no plano das idéias arquetípicas e convida uma reflexão que se opõe a unilateralidade das forças contrárias. Maiores informações podem ser conseguidas nas páginas oficiais na internet: http://www.eranosfoundation.org/.

Infância

Postado em Arte com categorias, , às 15/Julho/2006 por mikosz

Certamente meu interesse em artes visuais foi influenciado por minha mãe.
Quando eu tinha 4 anos de idade eu a acompanhava até a EMBAP onde ela tinha aulas de pintura com Guido Viaro. Até hoje tenho imagens das pinturas que eu fazia lá.
Fui um pintor genial e profícuo quando pequeno. Hoje apenas vivo da fama adquirida desde então :)
Abaixo algumas das obras que fizeram parte de minhas pesquisas artísticas da época:

Essa foi do período neoplástico. Mondrian questionou a centralidade exagerada da composição. Não ficou muito feliz com o círculo embaixo à direita. Ele disse que estava muito subjetivo, pouco espiritual, mas se conformou com a cor verde, já que continha o azul e o amarelo usados por ele.

Essa árvore também fiz pra impressionar o Mondrian e homenagear suas fases anteriores, mas ele disse que eu devia consultar alguns japoneses antes.

Eu não entendi o lance dos japoneses e, então, fiz essa acima, pois havia me interessado pelos trabalhos de alguns fauves e sua liberdade no uso da cor.

Querendo concorrer, enfim, havia descoberto que no mundo temos que ser geniais e concorrer, sempre concorrer: segui os exemplos de Gauguin com o Cristo Amarelo e de Anita Malfatti com o Homem Amarelo, criei então a Mulher Amarela.

Depois enjoei e criei uma mulher mais nítida, porém poucos artistas foram tão objetivos e sintéticos como eu fui (coitados!).

Todo grande artista, principalmente do século passado, teve uma fase Expressionista Abstrato, como dotado de grande talento, aderi a idéia, enfim, era 1960!!!

Mas achei divertido por pouco tempo. Então resolvi aderir a Arte Pop. Como era muito pequeno, entendi errado e troquei Sopa por Sapo e fiz minha série de Sapos Campbell, para estar atualizado com o tio Andy Warhol.

13 Vídeo-Arte de Nam June Paik

Postado em Arte, Arte & Tecnologia com categorias, às 2/Abril/2004 por mikosz

Nenhum artista teve influência maior em imaginar e realizar o potencial artístico do vídeo e da televisão do que Nam June Paik. Com vastas instalações de vídeos, produções globais de televisão, de filmes e de performances, Paik remodelou nossas percepções da imagem na arte contemporânea.

Nascido na Coréia em 20 de Julho de 1932, estudou história da música, história da arte e filosofia na Universidade de Tóquio onde se graduou com uma monografia sobre Arnold Schoenberg. Em 1956 foi para a Alemanha continuar seus estudos sobre história da música na Universidade de Munique. Lá ele encontra os músicos Karlheinz Stockhausen e John Cage. Ambos influenciaram Paik com suas idéias de composição e performance. Paik trabalhou com Stockhausen em um estúdio para música eletrônica.

Nam June Paike - Pai da Vso-Arte

Mais tarde Paik envolveu-se com o movimento neo-Dada chamado Fluxus fundado por George Maciumas. Convidado a participar do grupo, Paik aceitou. Retornando ao Japão realizou obras com eletromagnetos e televisores junto com o engenheiro eletrônico Shuya Abe.

A partir de 1963, quando Paik e Wolf Vostell realizaram intervenções nas imagens da televisão, a Vídeo-Arte começou a tornar-se parte integrante da arte contemporânea. Paik desenvolveu a Vídeo-Arte e influenciou toda uma geração de artistas desde então.